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FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO
MICHAEL MOORE

ELENCO
“Em nome de meu elenco estelar – GW, Dick, Rummy, Condi e Wolfie – agradeço a um incrível número de pessoas de boa vontade que levaram Fahrenheit 11 de Setembro ao público”.
Michael Moore

MICHAEL MOORE - Direção / Roteiro / Produção

Michael Moore é premiado diretor de Roger & Eu (Roger & Me) de 1989, a história de sua inexorável tentativa de confronto com o Presidente da General Motors, Roger Smith, sobre os efeitos devastadores do enxugamento (donwsizing) da GM na cidade de Flint, Michigan. Roger & Eu apareceu em mais de cem listas como “Um dos Dez Melhores Filmes do Ano”, ganhou o prêmio de Melhor Documentário da Associação dos Críticos de Cinema de New York e prêmios de outras associações de críticos por toda a América. Moore empregou o lucro do filme para fundar o Centro de Mídia Alternativa, uma fundação que, desde de sua criação, desembolsou mais de meio milhão de dólares em subvenção para cineastas independentes e grupos de ação social.

Moore nasceu e foi criado em Flint, onde aos 18 anos, concorreu para o conselho de diretores da escola e ganhou, tornando-se um dos mais jovens no país a ser eleito para o cargo público. Aos 22 anos, fundou a The Flint Voice (A Voz de Flint), uma dos mais respeitados jornais alternativos do país por 10 anos. Em meados de 1990, Moore foi produtor, diretor, roteirista e apresentador da premiada série de TV Nation, que foi exibida pela NBC e depois pela Fox.

Moore, também, escreveu e dirigiu uma comédia Canadian Bacon (que participou da mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes de 1995). Seu segundo e premiado documentário foi The Big One, que revelava a cobiça e o mau procedimento nos grandes negócios por toda a América, forçando a Nike a acabar com o uso do trabalho infantil na Indonésia. Como escritor, Moore escreveu alguns best-sellers, incluindo Downsize This! Random Threats from na Unarmed American, que escreveu com sua mulher Kathleen Glynn.

Em 1999 e 2000, Moore produziu duas temporadas da série indicada para o Emmy, The Awful Truth, para a Bravo (EUA e Canadá) e Channel 4 (Inglaterra). O L.A. Times considerou a série como “a mais inteligente, divertida sátira política.”

Michael Moore dirigiu, também, clipes musicais para o REM E Rage Against the Machine, e apareceu várias vezes em Politically Incorrect, The Late Show with David Letternam e Late Night with Conan O’Brien.

O último livro de Moore sobre humor político leva o título Stupid White Men – Uma Nação de Idiotas (Stupid White Men and Other Sorry Excuses for the State of the Nation), foi o primeiro da lista de best-sellers do The New York Times durante nove semanas consecutivas na época de seu lançamento. O livro também foi muito bem recebido no Canadá e na Inglaterra e já está em sua 19o. edição.

Stupid White Men - Uma Nação de Idiotas permaneceu no ranking da veja por 47 semanas

No Brasil os livros de Michael Moore, Stupid White Men – Uma Nação de Idiotase e Cara Cadê Meu País?,que esteve na lista da revista Veja por 14 semanas consecutivas, desde o seu lançamento em 1º de abril. Os dois livros foram publicados no Brasil pela W11 Editores.

Em 2002 Moore diigiu, produziu e roteirizou Tiros em Columbine que lhe valeu o Oscar de Melhor Documentário de longa-metragem. Na cerimônia de entrega do prêmio ele fez um inflamado discurso contra o Presidente Bush. Seria o embrião de Fahrenheit 11 de Setembro. Tiros em Columbine ganhou vários prêmios internacionais teve bilheteria de mais de US$ 21 milhões apenas nos Estados Unidos. No Brasil o filme foi lançado pela Alpha Filmes (com distribuição nos cinemas da Europa Filmes & M.A. Marcondes e foi visto por mais de 206 mil espectadores.

O cineasta - que mede 1.87 m. - é casado com Kathleen Glynn, produtora de Tiros em Columbine e Fahrenreit 11 de Setembro. O casal tem 1 filho.

Os filmes prediletos do cineasta são Morangos Silvestres (1957), de Ingmar Bergman e Táxi Driver – Motorista de Táxi (1976), de Martin Scorsese.

Michael Moore promoveu bingos beneficentes com seus vizinhos para arrecadar dinheiro e produzir seu documentário Roger e Eu.

Descendente de irlandeses, o diretor vive em Nova York e tem um Volkswagem Beetle.

KATHLEEN GLYNN – Produtora

Kathleen Glynn, produtora premiada com um Emmy em 1995 por TV Nation. Ela já trabalhou com Moore em seus quatro filmes e duas séries de TV. Começando com Roger e Eu (Roger & Me), Glynn também produziu Canadian Bacon, The Big One e Tiros em Columbine.

Além destes, Glynn produziu, também o premiado The Awful Truth, para a televisão. Kathleen Glynn está a frente da produtora Dog Eat Dog Filmes.

Ela é mulher do cineasta Michael Moore. Kathleen Glynn nasceu em Flint, estado de Michigan, também a cidade natal de Moore.

JIM CZARNECKI – Produtor

Jim Czarnecki é amigo e colaborador de Michael Moore há mais de 10 anos, começando pelo premiado TV Nation, passando por The Awful Truth, Canadian Bacon e The Big One. Antes de trabalhar com Moore, Czarnecki já havia se estabelecido na comunidade cinematográfica de Nova York com os filmes Sid & Nancy, versão para cinema de Sandra Bernhard de Without You I’m Nothing. Ele atuou como assistente de direção em Pee Wee’s Playhouse, de 1986 até 1990.

Czarnecki, também, produziu Julian donkey-boy; foi produtor executivo de Love Liza e da Ridley Scott and Associates (RSA), onde produziu comerciais de TV dirigidos por Martin Scorsese, Oliver Stone, Spike Lee, Chris Cunningham e Woody Allen.
Ele foi também produtora de Tiros em Columbine.


TIMELINE FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO

23/03/2003

Noite de entrega do 75º Oscar. Michael Moore ganha a estatueta de melhor documentário por “Tiros em Columbine”. No palco, diretor fez discurso acusando o presidente George W. Bush de ser “um presidente fictício e que vivemos em tempos fictícios”. Em entrevista, dia 22/06/2004, Moore afirmou que “Fahrenheit 11 de setembro” surgiu como uma resposta àquela noite. “Tive que me explicar. O discurso teve muito a ver com a realização deste filme”.

Discurso de Michael Moore, Oscar 2003:

"Convidei meus colegas documentaristas para estarem comigo aqui no palco em solidariedade, porque nós todos gostamos de não-ficção, e nós vivemos em um tempo de ficção. Nós vivemos em um tempo em que resultados fictícios de uma eleição proclamam um presidente fictício. Vivemos em um tempo em que esse homem nos leva a uma guerra por razões fictícias, enquanto nos oferece a ficção da fita de vedação e do alerta laranja. Nós somos contra essa guerra, Sr. Bush. Tome vergonha, Sr Bush. Tome vergonha na cara. Se o Papa e as Dixie Chicks estão contra você, é porque você está acabado. Obrigado!"

O vídeo do discurso está disponível no site oficial de Michael Moore
http://www.michaelmoore.com/special/oscar.php

28/03/2003

A Icon, produtora de Mel Gibson, anuncia que irá financiar o novo projeto de Michael Moore, já entitulado “Fahrenheit 9/11”.

13/05/2003

A Icon Productions desiste de “Fahrenheit 11 de setembro”, a pedido de seu proprietário, Mel Gibson. Este temia a repercussão que poderiam surgir com o documentário. Ele próprio, então, era alvo de críticas pelo então inédito “A Paixão de Cristo”, em produção à época. A Miramax assumiu o projeto de Moore.

15/05/2003

Surgem os primeiros protestos de organizações conservadoras norte-americanas contra “Fahrenheit 11 de setembro”. O site GOPUSA (www.gopusa.com) propõe boicote aos produtos e aos parques temáticos Disney, por estar envolvida na produção do filme de Michael Moore . “Vamos pensar duas vezes antes de gastar dinheiro em algo que possa ser utilizado para apoiar alguém como Michael Moore”, escreveu Steve Wood, responsável pelo site.

06/05/2004

Em depoimento em seu site oficial, Moore escreveu: “Fui informado ontem de que a Disney não quer distribuir meu filme, ‘Fahrenheit 11 de setembro’. De acordo com o New York Times, tem a ver com negócios entre a Disney e uma redução de impostos que eles têm na Flórida, que é governada pelo irmão do presidente, Jeb Bush”.

08/05/2004

“Fahrenheit 11 de Setembro” anunciado como um dos selecionados para a competição oficial do Festival de Cannes 2004.

13/05/2004

Os irmãos Weinstein entram em negociações com a Disney para a recompra dos direitos de distribuição de “Fahrenheit 11 de setembro”, por US$ 6 milhões de dólares, seu valor de custo e divulgam nova data para a estréia do filme: 25/06/2004.

18/05/2004

“Fahrenheit 11 de setembro” é exibido em Cannes e é ovacionado. A platéia ficou entre 15 e 20 minutos aplaudindo de pé.

22/05/2004

O presidente do júri do Festival de Cannes de 2004, Quentin Tarantino, anuncia o documentário “Fahrenheit 11 de setembro”, de Michael Moore, como o vencedor da Palma de Ouro em Cannes. “Fahrenheit 11 de setembro” ganhou também o prêmio FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema).

31/05/2004

Os irmãos Weinstein anunciam que fecharam o acordo de recompra com a Disney e que irão distribuir “Fahrenheit 11 de setembro” por uma nova companhia, a Fellowship Adventure Group.

02/06/2004

As distribuidoras Lions Gate Filmes e IFC Films assinam parceria com a recém-criada empresa Fellowship Adventure Group para distribuição em cinema de “Fahrenheit 11 de setembro”.

08/06/2004

Em avant-première especial, em Beverly Hills, no cinema da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (A.M.P.A.S.), Michael Moore apresenta “Fahrenheit 11 de setembro” a celebridades como Leonardo Dicaprio, Drew Barrymore, Rob Reiner, Danny DeVito, Matthew Perry, Kevin Smith e David Duchovny

12/06/2004

A Motion Pictures Association of America, associação de cinema da América, anuncia classificação R para “Fahrenheit 11 de setembro”, o que torna o filme “restrito para pessoas menores de 17 anos desacompanhadas dos pais”.

14/06/2004

A Fellowship Adventure Group anuncia que irá apelar à decisão da MPAA, em busca de uma censura PG-13, “desaconselhável para crianças menores de 13 anos”. “É uma pena que garotos de 15 e 16 anos, que podem ser recrutados para guerras futuras, não possam ver o filme”, afirmou Michael Moore.

14/06/2004

Em première em Nova York, Moore reúne artistas como Sharon Stone, Richard Gere, Mike Myers, Tim Robbins, Laurence Fishburne e Glenn Close para assistirem a “Fahrenheit 11 de setembro”. Leonardo Dicaprio compareceu e assistiu novamente ao filme.

16/06/2004

As distribuidoras de “Fahrenheit 11 de setembro” recebem o apoio do ex-governador de Nova York, o democrata Mario Cuomo, que se propõe a ser o advogado da apelação. “O filme tem algo realmente interessante para se ver, ou tantas pessoas não estariam tentando vetá-lo”, afirmou Cuomo em coletiva, informando que já havia assistido três vezes a “Fahrenheit 11 de setembro”.

23/06/2004

Dois dias antes da estréia de “Fahrenheit 11 de setembro” nos EUA, a MPAA julgou a apelação das distribuidoras do filme e manteve a censura R.

23/06/2004

“Fahrenheit 11 de setembro” estréia em Nova York, em dois cinemas, quebrando recordes e vendendo todos os lugares das salas em que foi exibido. No multiplex Loew's Village 7, arrecadou US$ 49 mil dólares em um dia, ultrapassando a marca de US$ 43 mil dólares de “MIB”. No cinema Lincoln Plaza, o filme fez US$ 30 mil dólares neste dia.

25/06/2004

No dia de sua estréia, “Fahrenheit 11 de setembro” era cotado pelo mercado e por sites especializados em previsões de bilheterias como o provável segundo ou terceiro lugar nas bilheterias. O filme foi lançado com 868 cópias, e estimavam que “Fahrenheit 11 de setembro” ficasse em segundo lugar no ranking, abaixo de “White Chicks”, que estreou com 2.726 cópias.

25/06/2004

No mesmo dia em que “Fahrenheit 11 de setembro” estreou, a FEC (Federal Election Commission), Comissão Federal Eleitoral dos EUA, proibiu a transmissão de comerciais via rádio e televisão de documentários que façam referências a candidatos políticos um mês antes das votações primárias. Esta ação inibiu campanhas do filme e seu posterior lançamento em DVD, previsto para outubro. As eleições presidenciais nos EUA ocorrerão em novembro.

25/06/2004

Imprensa divulga, no mesmo dia da estréia de “Fahrenheit 11 de setembro”, o primeiro festival “American Film Renaissance”, que planeja “incentivar cineastas independentes a produção de filmes que promovam os valores tradicionais americanos”, segundo consta no site do festival, www.afrfilmfestival.com. O evento está marcado para 11 de setembro.

28/06/2004

“Fahrenheit 11 de setembro” teve renda de US$ 23.9 milhões na estréia, ficando em primeiro lugar nas bilheterias. Em um fim de semana, ultrapassou o público total de “Tiros em Columbine”, filme anterior de Michael Moore. Único documentário da história a estrear em tal posição, “Fahrenheit” cresceu em cópias na segunda semana, para 1.725, chegando ao número de 2.011 cópias em sua terceira semana de exibição. Com um mês em cartaz, “Fahrenheit 11 de setembro” alcançou a marca de US 93.8 milhões de dólares.

30/06/2004

Um dono de cinema de Oakland, nos EUA, colou cartazes com o escrito “Não apoiamos a censura R de Fahrenheit” em algumas de suas salas.

09/07/2004

“Fahrenheit 11 de setembro” estréia na França, em 231 salas. O filme fez a quinta maior estréia do ano no país, com renda de US$ 3.7 milhões de dólares. Na Inglaterra, o filme de Moore, exibido em 132 salas, fez US$ 2.4 milhões de dólares.

15/07/2004

Produtores do programa do entrevistador Larry King, após conversarem com a Casa Branca, cancelaram entrevista com Michael Moore. Eles requisitaram um representante para confrontar o diretor durante a entrevista ao vivo.

22/07/2004

Estreia na Argentina, em 23 cinemas, e no primeiro fim de semana é visto por 64.940, uma média 2.823 espctadores por sala. Tiros em Columbine, lançado com 15 cópias em março de 2003, havia feito no seu primeiro fim de semana, 8.108 (540 espectadores por cópia).

TEXTO DE MICHAEL MOORE ESCRITO UMA SEMANA APÓS O LANÇAMENTO DE FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO NOS EUA

Minha Primeira Semana Fantástica com
Fahrenheit 11 de setembro...

Amigos,

Por onde devo começar? Esta semana que passou me deixou abismado. Fahrenheit 11 de setembro é o filme n° 1 no país, o documentário de maior faturamento de todos os tempos. Minha cabeça está girando. Nós não havíamos perdido nosso distribuidor oito semanas atrás? Karl Rove realmente não conseguiu impedir isto? Bush está arrumando as malas?

A cada dia desta semana eu recebia uma nova informação da imprensa que cobre Hollywood, e mal tinha tempo de me recuperar da última novidade antes da próxima me deixar tonto:

** Mais pessoas viram Fahrenheit 11 de setembro num final de semana do que todas as pessoas que viram Tiros em Columbine em nove meses.

** Fahrenheit 11 de setembro bateu o recorde de Rocky III em termos de estréia de final de semana de maior bilheteria de todos os tempos em comparação com qualquer filme que tenha estreado em menos de mil salas de exibição.

** Fahrenheit 11 de setembro superou o final de semana de estréia de O Retorno de Jedi.

** Fahrenheit 11 de setembro foi instantaneamente para a segunda posição da lista que traz as maiores médias de exibição por sala para um filme que estreou com ampla distribuição.

De que forma posso agradecer a todos vocês que foram vê-lo? Esses recordes são fenomenais. Eles enviaram ondas de impacto direto para Hollywood – e, o que é mais importante, direto para a Casa Branca.

Mas a coisa não parou por aí. A reação ao filme entrou, então, num terreno misterioso. Surfando pelo dial aterrisei na rede Fox que estava transmitindo a corrida NASCAR ao vivo no domingo passado para uma audiência de milhões de norte-americanos – e, de repente, os comentaristas estavam contando que o campeão da NASCAR Dale Earnhardt Jr. havia levado sua equipe para ver Fahrenheit 11 de setembro na noite anterior. O locutor esportivo da Fox Chris Myers contou sobre a crítica de Earnhardt de viva voz direto para as entranhas da América: “Ele disse, bem, será uma boa experiência aglutinadora, independente de sua crença política. Como americanos, é uma coisa boa de ser ver”. Uau! Fãs da NASCAR – não dá para ir mais fundo do que isso no território de George Bush! Caminhonetes de mudança da Casa Branca – LIGUEM SEUS MOTORES!

Daí houve Roger Friedman do canal Fox News fazendo uma crítica absolutamente entusiasmada sobre nosso filme chamando-o de “uma obra realmente brilhante, e um filme que membros de todos os partidos políticos deveriam ver sem falta”. Richard Goldstein do Village Voice conjecturou que Bush já é considerado carta fora do baralho, de forma que Rupert Murdoch devia começar a bajular a nova administração. Estou por fora disso, mas nunca ouvi uma palavra decente a meu respeito vinda da Fox. Assim, depois que me recuperei, fiquei me perguntando se a próxima surpresa seria receber um bilhete apaixonado de Sean Hannity.

Sem contar a Lista das Dez Mais de Letterman: ‘“As Dez Principais Reclamações de George W. Bush Sobre Fahrenheit 11 de setembro:

10. O ator que representou o presidente não era nada convincente

9. O filme simplificou demais a maneira com que roubei a eleição

8. Houve um excesso de palavras sofisticadas

7. Se esperasse alguns meses, Michael Moore poderia ter incluído a parte em que eu mando deportá-lo

6. Não teve esses macacos hilariantes que fumam cigarros e levantam o dedo médio para mandar as pessoas se f...

5. De todas as acusações de Michael Moore, apenas 97% são verdadeiras

4. Não está comprovado – que eu desmaiei porque engasguei com um pedaço de pipoca

3. Onde diabos se meteu o Homem Aranha?

2. Não pude ouvir a maior parte do filme por causa do desbocado do Cheney

1. Eu achava que isso era para tratar de um jogo de bola-queimada”

Mas foram as reações e relatos que recebemos das salas de exibição de todo o país que realmente me deixaram estupefato. Recebi ligações de um gerente de cinema após o outro dizendo que o filme estava sendo aplaudido de pé na hora dos créditos finais – em lugares como Greensboro, Carolina do Norte, e na cidade de Oklahoma – e que estava sendo difícil esvaziar as salas na seqüência porque as pessoas ou ficavam aturdidas demais ou queriam continuar sentadas conversando com os vizinhos de poltrona sobre o que haviam acabado de ver. Em Trumbull, Connecticut, uma mulher subiu na poltrona depois do filme e gritou "Vamos fazer uma reunião!" Um homem de San Francisco tirou o sapato e jogou-o na tela quando Bush apareceu no final. Grupos de senhoras religiosas de Tulsa estavam indo assistir ao filme e caíam no choro.

Foi este úItimo grupo que desmentiu todos os sabe-tudo falastrões que, antes da estréia do filme, declararam que apenas a “galera” do contra iria ver Fahrenheit 11 de setembro. Eles não podiam estar mais equivocados. Os cinemas das profundezas do sul e do meio-oeste bateram recordes locais em comparação com qualquer outro filme jamais exibido por lá. É, os ingressos também se esgotaram em Peoria. E em Lubbock, Texas, e em Anchorage, Alasca!

Um jornal após o outro escreveu toneladas de matérias embasbacadas sobre pessoas que se autodenominavam “independentes” e “republicanos” saindo do cinema balançadas e em lágrimas, proclamando que não poderiam, em sã consciência, votar em George W. Bush. O The New York Times escreveu sobre uma republicana conservadora de 20 e poucos anos de Pensacola, Flórida, que chorou durante o filme inteiro e disse ao repórter: “Ele realmente me faz questionar o que sinto a respeito do presidente... e sobre seus motivos…”

O Newsday publicou material sobre um auto-descrito “apoiador ardente de Bush e Cheney” que foi ver o filme em Long Island, e sua reação discreta no final. Ele disse, "O filme realmente me deu um tempo para pensar sobre o que realmente está acontecendo. Houve coisas demais –um excesso de coisas para deduzir". O homem então comprou mais três ingressos para outras sessões do filme.

O Los Angeles Times descobriu uma mãe que havia “apoiado [Bush] ferozmente” no cinema em Des Peres, Missouri: “Saindo de Fahrenheit 11 de setembro de Michael Moore, com os olhos molhados, Leslie Hanser disse que por fim entendera... ‘Minhas emoções são só...’ Ela foi embora agitando as mãos para expressar confusão. ‘Sinto como se nós não tivéssemos enxergado toda a verdade antes.’"

Essas devem ter sido as piores notícias possíveis para a Casa Branca no início da manhã de segunda-feira. Imagino que eles ficaram num estupor tamanho que "devolveram" o Iraque dois dias antes do previsto!

Editores de noticiários nos disseram que estavam sendo "bombardeados" com e-mails e telefonemas da Casa Branca (leia-se Karl Rove), tentando se safar desta encrenca com ataques ao filme e à minha pessoa. Mas o porta-voz Dan Bartlett contou à assessoria de imprensa da Casa Branca que o filme era "escandalosamente falso" –embora tenha dito que não assistiu ao filme. Depois ele contou à CNN que "Este é um filme que não precisa ser assistido para que saibamos de antemão que é repleto de incorreções factuais". Pelo menos eles são coerentes. Eles nunca precisaram ver uma única arma de destruição em massa antes de mandar nossos jovens para a morte.

Muitos noticiários estavam mais do que ansiosos para embarcar na versão da Casa Branca. Afinal de contas, trata-se de uma grande parte do que Fahrenheit enfoca –como a mídia preguiçosa e complacente acatou todas as mentiras da administração Bush sobre a necessidade de invadir o Iraque. Eles aceitaram a lenga-lenga sobre a ajuda apresentada pela Casa Branca e raramente, se é que isso aconteceu em algum momento, nossa mídia fez as perguntas duras que devia ter feito antes de a guerra começar.

Como o filme "desmascara" a mídia poderosa por suas falhas e sua cumplicidade com a administração Bush – quem algum dia irá se esquecer de sua torcida incessante e constrangedora quando as tropas partiram para a guerra, como se isso fosse apenas um jogo –, a mídia não estava propensa a deixar eu me dar bem com algo que agora parece um fenômeno cultural. Num programa atrás do outro, caíram em cima de mim com o tipo de atitude viciosa que se esperava que eles tivessem tido com aqueles que estavam mentindo sobre a necessidade de se invadir uma nação soberana que não nos impunha ameaça alguma. Eu não culpo nossos jornalistas-celebridades bem-pagos –eles parecem um bando de puxa-sacos dopados em meu filme, e acho que no lugar deles também ficaria fulo da vida comigo. Afinal de contas, já que os fãs da NASCAR assistem a Fahrenheit 11 de setembro, será que algum dia voltarão a acreditar numa só coisa que assistam nos noticiários da ABC/NBC/CBS?

Por volta da próxima semana, vou relatar minhas aventuras pela mídia neste mês passado (também incluirei em breve uma seção completa de FAQ no meu website para que vocês tenham todos os subsídios e evidências necessários sobre o filme quando se encontrarem num debate acalorado com seu cunhado conservador!). Por ora, por favor, fiquem cientes do seguinte: Todo e qualquer fato que eu exponho em Fahrenheit 11 de setembro é a verdade absoluta e irrefutável. Este filme talvez seja o documentário mais meticulosamente pesquisado e checado da atualidade. Nada menos do que doze pessoas, incluindo três equipes de advogados e os veneráveis perscrutadores de fatos da New Yorker passaram um pente fino no filme para que nós pudéssemos lhes dar esta garantia. Não deixem que qualquer um diga que isso ou aquilo não é verdadeiro. Quem disser isso está mentindo. Façam essa gente entender que as OPINIÕES no filme são minhas, e qualquer pessoa por certo tem o direito de discordar delas. E as questões que coloco no filme, com base nesses fatos irrefutáveis, também são minhas. E eu tenho direito de colocá-las. E continuarei cobrando essas coisas até que sejam esclarecidas.

Para concluir, quero dizer que a reação mais encorajadora ao filme partiu de nossos soldados e de suas famílias. Cinemas em vilas militares por todo o país registraram lotações esgotadas. Nossas tropas conhecem a verdade. Elas a viram em primeira mão. E muitas delas não conseguiam acreditar que aqui estava um filme VERDADEIRAMENTE do lado deles – o lado de trazê-los vivos de volta para casa e nunca mais enviá-los para lugares perigosos a menos que isso seja absolutamente o último recurso. Por favor, reservem um momento para ler esta história maravilhosa do jornal diário de Fayetteville, Carolina do Norte, onde há o Forte Bragg. Fiquei de coração partido ao ler isto, as reações de famílias militares e os comentários da mulher de um soldado de infantaria apoiando publicamente meu filme – o que me levou à resolução de assegurar que o máximo possível de norte-americanos veja este filme nas próximas semanas.

Mais uma vez obrigado a todos vocês por seu apoio. Juntos, fizemos algo que vai entrar nos livros de História. Minhas desculpas a O Retorno de Jedi. Vamos compensar isso produzindo “O Retorno do Texano a Crawford” em novembro.

Que a farsa esteja com vocês, mas por breve tempo,

Michael Moore

ENTREVISTA COLETIVA DE MICHAEL MOORE À IMPRENSA INTERNACIONAL

6 de julho de 2004 - Essex House Hotel, Nova York

ENTREVISTA TRANSCRITA NA ÍNTEGRA

Abertura de Michael Moore

Em primeiro lugar, agradeço por estarem aqui. Pedi para encontrar cada um de vocês individualmente, mas não deixaram. Não, brincadeira, acabei de inventar isso. Eu gostaria de ter podido ir ao país de cada um de vocês para fazer isto, quer dizer, a propaganda do filme, mas temos aqui uma eleição que está chegando e acho que simplesmente decidimos que cada dia gasto fora dos EUA seria um dia longe de nossa missão aqui, de modo que eu espero que as pessoas compreendam que nossa prioridade tinha de ser nos concentrarmos no que está acontecendo, para que possamos agir da melhor maneira possível para tirar o Sr. Bush da Casa Branca.
Agradeço muito a presença de vocês e o modo como faremos isso, e ficaremos tanto tempo quanto for necessário para eu responder a todas as perguntas que vocês tiverem. Então... obrigado.
Jan Solomon., Beyond Elite. É uma revista online, então nós representamos o mundo.
Moore: Uau! Isso é intenso!
Jan Solomon: E eu queria perguntar a você... Nós da Beyond Elite o consideramos um grande denunciador, e agora que você expôs as mentiras da administração Bush, assistindo a Fahrenheit 11 de Setembro, acho que você está dizendo uma coisa muito mais profunda, e eu queria perguntar-lhe sobre estas exigências e restrições no seu país, e se você enxerga uma solução para isso. A administração Bush é, a meu ver, um mero sintoma, e eu acho que você está apontando para um problema mais profundo que temos em nosso país.
Moore: Bem, o problema mais profundo que nós temos... e eu gostaria de dizer que todos os meus filmes têm uma espécie de finalidade a longo prazo, que eu acho que gostaria que fosse atingida algum dia. Cada um dos filmes também tem uma missão a curto prazo. A missão a curto prazo deste filme é tirar George Bush da Casa Branca. O objetivo a longo prazo continua o mesmo que sempre foi desde Roger e Eu.
O sistema econômico que temos neste país é um sistema injusto e antidemocrático e, enquanto isso não mudar, nós teremos e continuaremos a ter sempre mais desses mesmos problemas que eu denuncio e persigo em meus filmes. Não quero continuar a fazer esses filmes na esperança de que possamos fazer pequenos curativos, pois o que precisamos consertar é o problema maior. Nós precisamos de um sistema econômico democrático sobre o qual nós, o povo, tenhamos controle e poder de decisão; as decisões que são tomadas, as decisões que nos afetam. E me recuso a considerar esta uma sociedade igualitária enquanto uma elite de 10% da população controla a maioria da riqueza deste país. Então, é isso que eu pretendo. Não acho que eu possa ser mais claro do que isso. (Imitando o sapo Caco, dos Muppets)
Ele começou com um papo comunista. Não sei DO QUE ele estava falando. Ooh... (rindo) (Voz normal) Os distribuidores americanos estão ali fazendo “ooohhhhh”... Desculpa. Sim, pode ir chamando ou... para mim tanto faz.
Roberto Manates, do jornal Reforma, do Mexico: e eu queria lhe fazer uma pergunta sobre a reação do governo e sobre os seus críticos. Você recebeu alguma ameaça, houve algum ataque específico contra a sua pessoa? E, também, você disse que seu objetivo é tirar o Sr. Bush da Casa Branca. O que mais você está planejando fazer nos próximos meses antes da eleição? Obrigado.
Moore: Com relação às ameaças, não sei de nenhuma. Você sabe de alguma coisa que eu não sei ou... há algo que você não está me dizendo, ou o quê? Ah, bom, eu também não sei de nenhuma... Tudo bem. Até o momento, eu pareço estar bem, e isso que acabei de dizer será uma ótima citação para vocês quando eu for encontrado boiando no rio semana que vem (risos). (Imitando um apresentador de noticiário) Apenas na semana, o Sr. Moore, numa coletiva à imprensa, disse: “Não, que ameaças?” (rindo) (Voz normal) O que mais eu vou fazer quanto a essa eleição? Nada. Eu fiz este filme. Eu encorajo as pessoas, e elas estão montando mesas de registro fora dos cinemas para cadastrar eleitores e encorajar as pessoas a votar. Vivo num país onde 50% das pessoas não votam, então realmente espero que essa gente se torne engajada, e a partir de todas as notícias que temos visto do lado de fora dos cinemas, muitos não-eleitores estão tomando a decisão de votar pela primeira vez na vida. Então, eu fico muito contente de ouvir isso.
Katherine Tulich, do Canal 7, da Austrália: Obviamente o cerne deste filme é destinado ao público americano, mas, de uma perspectiva internacional e também, se me permite perguntar mais especificamente sobre a Austrália, porque nós fizemos e ainda fazemos parte da Forças da Colizão (Coalition of the Willing), eu queria saber o que você espera que o público australiano aprenda com esse filme e, talvez, o que acha de nosso primeiro-ministro, John Howard: ele foi ludibriado ou é cúmplice?
Moore: Recebo muita correspondência da Austrália. Eu provavelmente recebo mais correspondência per capita da Austrália que de qualquer outro país. Há muitos australianos furiosos. Eu nunca soube o quão furiosos, e não acho que seja só porque vivem na Austrália. Estou certo, não? Não... quero dizer que eu percebo que vocês, por assim dizer, vivem numa ilha, mas que também é um país, mas que também é um continente. Então, sei que há muita confusão aí. Sabe: somos um país, somos um continente? Ninguém resolveu isso ainda, então... O que me deixa confuso é o seguinte: como alguém como John Howard pode se aliar a George W. Bush? Não quero dar muito crédito ao Sr. Howard, mas ele ao menos parece ter meio cérebro. Meio, eu disse, meio. E estou sendo generoso, mas o que ele está fazendo com George W. Bush? É realmente uma desgraça, e o povo australiano, de acordo com as pesquisas, não aprova isso de ser parte da Colizão, e eu espero que aconteça a ele a mesma coisa que aconteceu com o líder da Espanha quando decidiu juntar-se à Colizão.
Eu vi na TV bem antes de vir aqui: George Bush estava na Casa Branca hoje agradecendo ao primeiro-ministro da Islândia por ter se juntado à Colizão. É claro, sem a Islândia, nunca teríamos ganhado essa guerra. Sabe, eles nos têm apoiado totalmente, e ele só quis agradecer-lhes por isso. Eu espero que os australianos que assistirem a este filme digam a si mesmos: “Precisamos de uma mudança de regime aqui no nosso país.” Com licença, meu telefone está tocando... Ora, é O PRÓPRIO John Howard. Desculpe... (rindo) Desculpe por aquilo. Vou desligar isto aqui. Sim. Desculpe por aquilo.
Maria Ramirez, do jornal El Mundo, da Espanha. Nós não fazemos mais parte da Colizão.
Moore: AGORA vocês não fazem! (rindo) Colocam-nos NA confusão e depois simplesmente nos abandonam, certo?
Maria Ramirez: É. De qualquer modo, tenho algumas perguntas para você. Em primeiro lugar, você tem criticado muito a imprensa americana, dizendo que ela não fez o trabalho dela, e houve um artigo na coluna de Paul Crewman (colunista do jornal The New Yorl Times) que talvez você tenha lido, dizendo que, na verdade, essa foi a chave do sucesso do seu documentário, pois os americanos estão fartos das mentiras da mídia. Então, eu queria saber, em sua opinião, qual a razão disso, pois a maioria dos jornalistas americanos consideram-se muito democratas, bastante esquerdistas, então eu não entendo... Gostaria de saber a sua opinião sobre isso.
Moore: A principal coisa que ouvimos dos americanos saindo do cinema é: “Por que não vejo isso no noticiário da noite? Como é que eu não soube disso antes? Onde estavam estas cenas?” Eu realmente não pretendia que isso se tornasse um dos principais temas do filme, mas acabou virando uma das coisas PRINCIPAIS que as pessoas aprendem com o filme: que a mídia americana fingiu-se de morta e abanou o rabinho para George W. Bush e essa guerra, e prestou um enorme desserviço ao povo americano, porque, como sabem, a melhor coisa de viver numa sociedade livre é que você pode fazer a pergunta que quiser. Qualquer pergunta. Você não pode ser preso por fazer uma pergunta. O que os impediu de fazer uma pergunta e exigir as provas? Onde estão as tais armas de destruição em massa? Sabe, quando eu era moleque, eu me lembro de estar sentado assistindo a John F. Kennedy na televisão, mostrando ao povo americano uma fotografia enorme com uma setinha: “Aqui estão os mísseis apontados para nós que estão sendo instalados em Cuba.” Certo? Onde estava esse tipo de prova? O que tivemos foi Colin Powell nas Nações Unidas com uma porção de desenhos de computador que qualquer aluno de ginásio poderia ter feito. Foi uma vergonha e foi ridículo, e todos engoliram isso na imprensa e agora estão envergonhados. E a mídia americana, se vocês tiverem visto na última semana, está me atacando com tudo que tem direito, porque esse filme está sendo embaraçoso para eles, especialmente para o jornalismo da televisão.
O filme os denunciou por não serem jornalistas responsáveis e por não fazerem seu trabalho. E, se eu fosse um jornalista nos EUA e estivesse vendo um cara de boné de beisebol com uma educação colegial sendo aquele que pela primeira vez conta esses fatos e mostra essas coisas aos americanos, deixando que ouçam dos próprios soldados na guerra, em primeira mão, que eles são contra a guerra, que eles não querem voltar para a guerra... por que é que não vemos isso no noticiário do horário nobre? Vocês sabem, é porque estão todos na cama, amasiados, NA CAMA com a administração Bush e trabalham para redes de TV que também têm parte com a venda de armas, como a NBC, que pertence à GE. Eles prestaram um desserviço enorme para o povo americano nesta guerra, ao não fazerem de antemão as perguntas difíceis, e neste exato momento mais de 860 de nossos jovens estão mortos, como resultado de a mídia não ter feito o trabalho dela. Imaginem se eles tivessem feito seu trabalho, talvez não estivéssemos nesta guerra, e lamento dizer isto, mas acho que o sangue desses garotos está nas mãos dos jornalistas também. E eles não gostam que eu diga isso, então...
Alessandra Baldini, da agência de notícias Ansa, da Itália: e tenho uma continuação às perguntas australianas: qual você acha que será o impacto do filme na Itália, onde talvez as coisas sejam um pouco diferentes?
Moore: Eu acho que os espanhóis começaram. Eles tiraram seu primeiro-ministro, que não escutou a vontade do povo, e espero sinceramente que os australianos, os italianos e os outros que se juntaram ao Sr. Bush nesta guerra também sejam removidos pelos cidadãos de seus países, e eu espero que este filme ajude a fazer isso. Não consigo me imaginar sentado num cinema italiano assistindo a este filme e sair duas horas depois, pensando: “O que diabos ele estava fazendo aliando-se com George W. Bush?
Isso é uma vergonha para a Itália”, e o quanto antes houver uma mudança de regime em Roma, tanto melhor. (falando fora do microfone) Hein? Na Espanha? Para os espanhóis assistindo a este filme? (risos) Bem, eu acho que o povo espanhol pode simplesmente ir ver o filme e ficar metido. (risos) “Sim, nós sabíamos. NÓOOS sabíamos! Nós nos livramos dele. Nós fizemos nossa parte, Mike.” A Propósito: Eu não acho que eles realmente falem desse jeito na Espanha.
Suzanne Garrantly, do Irish Independent, da Irlanda: Não sei se você teve oportunidade de ler o New York Times no fim de semana, mas tem havido muita polêmica em torno de uma entrevista que Carol Coleman (jornalista irlandesa, da rede de TV RTE) fez com o presidente Bush.

Entrevista completa de Carol Coleman com Bush
http://www.whitehouse.gov/news/releases/2004/06/20040625-2.html

Moore: Ela é uma heroína para todos nós americanos. Pois nós americanos estamos procurando por nossa Carol Coleman. Quem é nossa Carol Coleman? Por acaso algum de nós nos EUA, qualquer um de nós, viu um único âncora ou jornalista enfrentar o Sr. Bush com uma pergunta difícil e não deixar que ele fuja, quando tenta responder com papo furado? Foi um momento de grande catarse ver Carol Coleman fazer aquilo com George W. Bush, e nós apenas ficamos pensando aqui nos Estados Unidos: “Quem é nossa Carol Coleman?” Desculpe eu ter interrompido sua pergunta... Desculpe, prossiga.
Suzanne Garrantly: Eu que fui a consultora de Carol Coleman... Não, brincadeira... Bem... (risos)
Moore: Você é como eu. Sabe, vou lhe contar a história de como eu escrevi o discurso de Adrien Brody (ator do filme O Pianista) no Oscar. Lá estava eu dizendo a ele na véspera do Oscar: “Escute aqui, sabe, não fale nada político. Apenas suba lá e fale sobre o seu amigo que está ali agora e torne o discurso bem pessoal...”
Suzanne Garrantly: Eu apenas disse a ela que usasse uma roupa vermelha, pois, você sabe, assim vinha o touro... Bush... Mas, de qualquer modo, quanto ao editorial do New York Times, eles fizeram questão de dizer que nenhuma entrevista tinha sido concedida a eles desde que o Sr. Bush tornou-se presidente; eles também apreciam que você tenha dado os parabéns a Carol Coleman, mas eles meio que reclamaram. Quero dizer, aqui está o jornal mais importante dos Estados Unidos como que choramingando por não lhe ser concedida uma entrevista com o presidente dos Estados Unidos, mas por acaso eles não têm a oportunidade de fazer perguntas ao presidente todos os dias por meio do jornal? E a minha segunda pergunta a você é a seguinte: você realmente considera isso um documentário? Porque do mesmo o modo como você procedeu hoje, você entrou e disse que tinha uma agenda política específica. Isso faz deste filme propaganda ou um documentário?
Moore: O New York Times vai apoiar alguém para presidente dos Estados Unidos. Isso faz com que não seja um jornal? Isso faz com que eles não sejam jornalistas? Sim, é claro que é um documentário. É uma obra de jornalismo, mas é o jornalismo da página de opiniões. É a minha opinião baseada em fatos. Fatos irrefutáveis, e depois eu exponho minha opinião, minha teoria, minhas perguntas. Minha opinião pode estar certa ou errada. Acontece que eu acho que está certa, porque é a minha opinião, mas pode ser que eu esteja errado. VOCÊ pode estar certa. OUTRA pessoa pode estar certa. Tenhamos essa discussão. Vamos ter o debate. Mas os fatos que apresento no filme são fatos, e eles são irrefutáveis. Quanto ao lamuriento New York Times, nós estamos bem acostumados nos EUA que os chamados esquerdistas sejam um bando de chorões. Eles geralmente são moles como geléia. Eles sempre parecem não ter medula. Você sabe, o partido democrata não é capaz de ganhar uma eleição nem sequer quando ele GANHA. Você sabe... quero dizer que eles são derrotados quando ganham. São patéticos a esse ponto. E eu e as pessoas que trabalhamos neste filme simplesmente decidimos que, quer saber, nós simplesmente vamos ter de salvá-los deles mesmos. Não podemos ficar esperando que eles façam o trabalho, pois eles não vão fazer o trabalho. É isso que é tão incrível. Os republicanos e os direitistas, eles acreditam em algo, certo?
Eles ACREDITAM em algo e lutam para defender isso. Já o outro lado: bem, certo, acho que podemos entrar em guerra contra o Iraque e eu acho que podemos ter leis antiterrorismo. Não soa tão mal, e ele não vai falar conosco como falou com Carol Coleman” Sabe, estou tão farto disso e, vou lhes dizer, milhões de americanos estão fartos disso. Somos esquerdistas de saco cheio. Estamos cheios de toda essa fraqueza e covardia, quer dizer, nunca chegaremos a lugar NENHUM, e é por isso que o outro lado sempre vence, o que é triste, considerando que vivemos num país esquerdista. A maioria dos americanos é de esquerda. É que eles não chamam a si mesmos de esquerdistas, mas se perguntarem à maioria dos americanos... vejam todas as pesquisas independentes, a maioria dos americanos é a favor do aborto, a maioria dos americanos quer leis ambientais mais fortes, a maioria dos americanos quer leis de desarmamento, a maioria dos americanos é bastante liberal. Apenas não tiveram uma liderança de esquerda nas últimas duas décadas. Tornou-se quase um oxímoro (figura que consiste em reunir palavras contraditórias) dizer isto, liderança de esquerda, pois eles não lideram; eles seguem. E a maioria de nós, a maioria esquerdista, a VERDADEIRA maioria esquerdista está farta disso e vamos exigir que eles sejam firmes.
Hans Janitschek, da República Tcheca, do jornal austríaco, o Kronen Zeitung.
Moore: Com licença, você é da Tchecoslováquia? A República Tcheca, ou...
Hans Janitschek: Quase isso. Meu nome é tcheco, não é austríaco. É a parte da Áustria perto da República Tcheca onde o seu filme terá sua estréia no Festival (inaudível) daqui a alguns dias. Mas os austríacos, e é esta a minha pergunta, estão com muita inveja dos tchecos, pois acabo de saber que...
Moore: Ah, faça-me o favor, ouvimos isso há anos.
Hans Janitschek: Não, não, não...
Moore: Estamos por aqui de os tchecos reclamarem dos austríacos.
Hans Janitschek: Não, mas eu ainda não lhe disse... Eu não fiz minha pergunta. Fiquei sabendo que a estréia do filme na Áustria e na Alemanha será adiada. Os tchecos ficaram muito orgulhosos de terem sido os primeiros a conseguir o filme depois de Cannes e os austríacos e os alemães esperavam que estreasse nos cinemas semana que vem, e agora fiquei sabendo que o contrato será renegociado entre o distribuidor aqui e os distribuidores na Áustria e na Alemanha. Imagino se você... Espero que eu esteja errado, mas de qualquer modo...
Moore: Não sei o que está se passando aí. Tudo que ouvi dizer foi algo sobre o distribuidor alemão estar tentando tirar vantagem de mim. Isso é tudo, e não sei de mais nada sobre isso... Eles estavam tentando me roubar, e eu disse que é muito não-germânico da parte deles tentar roubar alguém. Pois, como se sabe, eles são tão... Quero dizer que os empresários alemães são conhecidos por sua honestidade e integridade, mas eu realmente não posso fazer comentários sobre o ocorrido. (risos, aplauso) Bem, eu acho que, em nome do povo americano, nós gostaríamos de agradecer ao povo da Áustria por ter nos dado o governador da Califórnia (risos) pois, você sabem, sem o país que, por assim dizer, o moldou nesse indivíduo musculoso que ele se tornou, nós jamais o teríamos, de modo que podemos ter nosso primeiro presidente austríaco neste país, sabem, o que é bem legal. Os alemães tiveram uma vez um presidente austríaco e agora NÓS podemos conseguir um também.
Antonia [Chagas], de O Estado de São Paulo, do Brasil: Os brasileiros estão no Haiti agora jogando futebol. Então, falando a longo prazo, sobre seu objetivo de trabalho a longo prazo, eu gostaria de saber se você tem algum plano de fazer um documentário sobre as conseqüências sociais das políticas americanas em outros países.
Moore: Sim, na verdade eu gostaria de fazer isso. E eu tenho algumas idéias sobre isso que eu não quero debater publicamente, mas fico muito preocupado com o impacto que os Estados Unidos têm no mundo e a espécie de desconsideração imprudente que as corporações americanas têm pelas pessoas em redor deste planeta, e as coisas que são feitas em nosso nome muitas vezes são desencorajadoras, para dizer o mínimo, e houve uma cena que bolamos para este filme – pedimos que um monte de freelancers do mundo todo nos enviassem algumas fitas de vídeo. Pedimos que eles saíssem nas ruas do Brasil, do Quênia, da França e de outros lugares e perguntassem: “O que você acha dos americanos?” Pois George Bush tinha feito um discurso sobre como essa gente não gosta de nós, sabe, como eles não gostam do nosso estilo de vida. E eu fiquei pensando: “Quem são ‘eles’?” Porque em minhas viagens pelo mundo, eu na verdade percebo que a maioria das pessoas realmente gostam dos americanos enquanto indivíduos, e então o que eu queria dizer no filme era: “Na verdade, Sr. Bush, eles gostam de nós – é de VOCÊ que eles não gostam e eles não gostam o que nossos amiguinhos corporativos fazem nos países deles.” Eu não sei, pensei um bocado sobre fazer uma série de coisas como essa, mas agradeço ao povo do Brazil por não fazer parte dessa Coalizão. Eu sei que foi feita muita pressão sobre o Brasil para que se juntasse à coalizão e só posso imaginar o que está sendo negado em termos de ajuda ou auxílio, como resultado de o Brasil NÃO ter concordado em participar desta guerra.
Max Kolonko, da Televisão Polonesa: Michael, quanto ao título, Fahrenheit 11 de Setembro, eu só queria perguntar como foi que você bolou esse título. E, como você sabe, Ray Bradbury, o autor de Fahrenheit 451, está muito chateado por você ter usado, diz ele, o título dele para o seu filme. O que ele diz é que não quer nenhum dinheiro, só quer reconhecimento. Você deveria admitir que usou o título dele para o seu documentário. Como foi que você bolou esse título?
Moore: O título estava no assunto do cabeçalho de um e-mail que eu recebi de um fã na noite de 11 de setembro de 2001, e eu estava apenas descendo na tela do meu computador e lá dizia “Fahrenheit 11 de Setembro”, o que simplesmente... mexeu comigo. E, com o passar dos meses, eu pensei sobre como Fahrenheit 451 era a temperatura em que os livros queimam, e à medida que começaram a nos tirar as liberdades civis e outras coisas neste país, eu pensei que talvez esta fosse a temperatura em que a LIBERDADE queima... caso eles se safem, se eles conseguirem usar a morte de três mil pessoas para justificar a agenda política da administração Bush. Assim, eu decidi que seria esse o título do filme. Quanto a Ray Bradbury, nós temos um respeito enorme por ele. Ele é um autor muito amado. Todo mundo adora Fahrenheit 451. O filme fez um bem enorme ao livro dele. Se você entrar na Amazon hoje, verá que Fahrenheit 451, um livro de pelo menos 40 anos atrás, está na lista dos cem livros mais vendidos da Amazon acima do MEU livro. O filme levou muitos jovens a esse livro. E, sabe, os títulos, para começar, não podem ser registrados, os títulos são... Ray Bradbury sabe disso mais do que ninguém. Ray Bradbury escreveu um livro intitulado Something Wicked Comes this Way. Essa é uma fala de MacBeth.
Ray Bradbury escreveu um livro intitulado The Golden Apples of the Sun. Esse é um verso de um poema de Yeats. Ray Bradbury escreveu um livro intitulado I Sing the Body Electric. Esse é o título de um poema de Walt Whitman. Ray Bradbury durante sua vida toda apropriou-se de títulos e versos de Shakespeare, Yeats e Whitman. Então, acho que ele entende que é perfeitamente legítimo fazer isso e, na verdade, às vezes é até uma coisa boa a se fazer. A verdade é que Mel Gibson está tentando fazer uma nova versão do filme Fahrenheit 451, e é a companhia de Mel Gibson, e isso é tudo que eu quero dizer sobre isso.
Matthew Philips. Sou um jornalista freelance da Austrália. Você alguma vez já... desculpe...
Moore: Não, eu só ia lhe dizer... Todos vocês leram sobre Ray Bradbury ter ficado chateado por causa do título? Não é estranho que nem um único jornalista... e quero dizer que isso é... novamente, não pretendo, vocês sabem, bater de frente com nossa preguiçosa e não muito inteligente imprensa americana, mas eu li todos os artigos e estou esperando que algum jornalista literato lembre que Something Wicked Comes this Way é um verso famoso de MacBeth. Ou então que o famoso poema de Walt Whitman tem o mesmo título do qual Ray Bradbury se apropriou.
Pois eu não quero atacar Ray Bradbury, então eu fico: bem, alguém, ALGUÉM vai dizer: “Espera um pouco, Mike nem mesmo está chamando o filme dele de ‘Fahrenheit 451’. Ray Bradbury fez X, Y e Z...” Eu não li essa história em lugar nenhum, e é simplesmente... É um pequeno exemplo do que nós, o povo americano, temos de agüentar todo santo dia de uma imprensa preguiçosa e inadequada que se recusa a fazer o trabalho dela e a contar a verdade inteira. Desculpem-me por isso.
Matthew Philips: Não, claro, tudo bem. (risos) Se me permite perguntar, você chegou a ter alguma resposta específica de John Kerry sobre tudo?
Moore: Nunca me encontrei ou conversei com John Kerry ou qualquer membro de sua campanha. Então, não sei nem se ele viu o filme. Eu não o apoiei publicamente. Eu não dei respaldo a ele durante as primárias porque eu disse que não apoiaria nenhum candidato que votasse a favor da guerra. Então, é essa a sua pergunta ou...?
Matthew Philips: Porque, quero dizer, seria seguro afirmar que esse filme terá um efeito direto na campanha dele? Digo, há uma cultura nos EUA de “qualquer um menos Bush”, e ele parece ser o primeiro candidato. Então, automaticamente é como dizer: “Vamos tirar Bush e colocar Kerry”, talvez?
Moore: Correto, há milhões de americanos que votariam em suas meias contra George Bush. Isso é verdade. Mas se o filme terá um impacto nele ou nas chances dele cabe a você decidir por meio de sua investigação, conversando com os americanos que saem dos cinemas, baseando-se em sua própria análise. Eu não sei. Eu não planejei fazer este filme para fazer com que um democrata seja eleito. Não havia nenhum John Kerry concorrendo à presidência, ao menos não que eu soubesse, quando comecei a fazer este filme, então... você sabe, essa é a minha resposta a isso. E quanto a Edwards, foi isso que você perguntou? Hein? Não estou dizendo para quem eu vou votar.
Não creio que seja esse o meu trabalho no momento. Não quero dizer às pessoas o que fazer na cabine de votação. Sou um cineasta e deixei bem claro o que sinto com relação a George W. Bush. As pessoas podem concluir o que cada um deve fazer. (perguntas fora do microfone) Eu os estou encorajando a remover George W. Bush da Casa Branca. (perguntas fora do microfone) Parece que isso equivale a, sim... a dizer que se deve votar em John Kerry, não é mesmo? (perguntas fora do microfone) Por alguma razão, eu ainda não consegui juntar esses dois pensamentos na minha cabeça. (risos) Tenho muita coisa em mente.
Gerald Baars, da rede de TV alemã ARD, e na Alemanha: você sabe, você é um grande herói, e os jornalistas alemães também não fazem o trabalho deles, pois nenhum deles se esforça o bastante para entender George W. Bush e eles são muito, muito anti-americanos, como diria a imprensa de vocês. Agora, por outro lado, seus críticos alegam que falar mal de Bush é muito lucrativo, tanto na Alemanha quanto aqui nos EUA, e que você ganha uma fortuna com suas declarações não patrióticas no filme. Qual a sua resposta a eles?
Moore: Bem, isso foi parte do meu grande plano desde o começo. (risos) O que você quer que eu diga sobre isso? Estou...
Gerald Baars: Na verdade, falando sério, eu tentei ser um pouco engraçado, mas...
Moore: Eu sei, e você está tomando tempo valioso de não-alemães que gostariam de fazer perguntas. Só estou brincando.
Gerald Baars: Sim, eu sei. Você segue suas ordens. (risos) Tempo esgotado. Não, falando sério, o que os seus críticos dizem, é claro...
Moore: Quem são esses críticos? Gostaria que me dissesse os nomes deles.
Gerald Baars: Bem, falo de grupos republicanos direitistas que organizam campanhas para que seu filme não seja distribuído ou que julgam seus comerciais na televisão eleitoreiros e portanto ilegais e assim por diante... E eles também dizem que você não passa de um cara ganhando rios de dinheiro. Falar mal de Bush é muito popular e esse foi o seu jeito... quer dizer, o mercado que você descobriu, o seu nicho.
Moore: Sabe, é engraçado. Meses atrás, critiquei Bush no palco do Oscar. Eu diria que isso não foi uma coisa popular de se fazer. Concorda com isso? Foi um risco incrível que eu assumi, e mais de um jornal escreveu no dia seguinte: “Finalmente, essa foi a última vez que tivemos de ouvir falar em Michael Moore. É o fim da carreira dele.” Fui vaiado para fora do palco do Oscar. Isso foi há somente 15 meses... há 14 meses. Eu não sei, que dia é hoje... Foi em março. Faça as contas. Então, eu assumi uma porção de riscos durante a minha vida para dizer coisas que às vezes não são muito populares num dado momento, mas eu confio que o povo americano mais cedo ou mais tarde vai mudar de idéia, como fez quanto a esta guerra e como fez quanto a George W. Bush, e a boa notícia é que, ao contrário do Vietnã, em que o povo americano levou anos para descobrir a verdade, no caso do Iraque levou apenas meses.
Tomohiro Machiyama, sou do Japão.
Moore: Obrigado por ter vindo até aqui.
Tomohiro Machiyama: Tudo bem, não tem de quê. Tenho aqui um artigo sobre a declaração...
Moore: Eu sempre considero importante ser educado com os japoneses, não concordam? Pois eles são sempre tão educados com a gente, não é? Já perceberam isso? Não? Não acham?
Tomohiro Machiyama: Posso continuar?
Moore: Sim. Bem, isso não foi muito educado...
Tomohiro Machiyama: A declaração feita pelo dono do cinema Midwest, talvez você saiba, eles recusam-se a exibir o seu filme. Esta é a declaração do dono: “Nosso país está numa guerra contra um inimigo que destruiria nosso estilo de vida e mataria nossa gente”, mas o Iraque não foi o terrorista do 11 de setembro, mas muitos americanos ainda acreditam em besteiras como que o Iraque matou novaiorquinos. Sabe...
Moore: Retiro o que eu disse sobre ser educado. Agora você está GRITANDO! Quando foi que vocês japoneses começaram a gritar desse jeito?
Tomohiro Machiyama: Sim, sou um japonês educado. (risos) Sim, mas o que você faz com o tipo de pessoas que ainda acredita que o Iraque foi responsável pelo ataque de 11 de setembro?
Moore: Sim, para começar, tem razão. Não é só uma mas sim três cadeias de cinema que estão se recusando a exibir o filme. Duas delas fizeram declarações públicas de que, em razão da guerra, elas não vão exibi-lo. 40% do povo americano ainda acredita que Saddam Hussein estava envolvido com o 11 de setembro. Mas esse número já foi de 70%, então, você entende o que estou dizendo? 30% deles... essa queda de 30% aconteceu porque, diante da verdade, o povo americano mudou de idéia. Então, tenha um pouco de esperança, tenha um pouco de esperança que eles estão lentamente percebendo as coisas, e se o meu filme puder ajudar só um pouquinho e tocar algumas pessoas, tanto melhor. Com relação a essas cadeias de cinema que se recusam a exibir o filme, não é esse o espírito democrático dos EUA Deveriam mostrar todos os pontos de vista, todos os lados, e deixar as pessoas decidirem.
David Rooney, da Variety. Só estou especulando. A propaganda desse filme será significativamente diferente nos territórios internacionais do que foi nos Estados Unidos? Você estará envolvido nesse processo de alguma forma? Que quantia de dinheiro os distribuidores internacionais estão gastando na propaganda e venda do filme, comparando com quanto eles gastariam normalmente com um documentário?
Moore: Essa é uma boa pergunta. Lamento, David, mas não tenho a resposta de quanto estão gastando. Posso lhe contar o que eu estou fazendo. Este é o meu dia de coletiva à imprensa internacional. Não estou viajando com o filme para os outros países, pela razão que eu dei no início, ou seja, que estou dedicando toda a minha atenção e esforços para garantir que tantos milhões de americanos vejam este filme quanto for possível, e depois estou fazendo o que posso para me certificar de que os 50% que não votam considerem votar. Então, eu planejo atuar bastante de hoje até o dia 2 de novembro, e estou pedindo a compreensão de meus fãs no exterior, que sabem que eu preciso estar aqui fazendo isto, pois eu adoraria viajar com este filme. Eu adoraria vê-lo no Brasil com um público brasileiro. Eu adoraria vê-lo na Espanha. Eu nunca estive no Japão. E ofereceram-me a oportunidade de fazer tudo isso, e infelizmente eu apenas... meu foco é aqui neste país e eu acho que vocês entendem isso. Mas eu farei tudo que puder para garantir que... para ter certeza de que as pessoas saibam desse filme, pois eu quero que as pessoas nos outros países saibam que não é somente Michael Moore.
Eu não sou o único americano que se sente assim. Eu acho que há uma impressão falsa que é passada de que eu penso que muita gente em muitos outros países acha que o país todo enlouqueceu ao apoiar essa guerra, ao apoiar Bush. Essa não é a verdade. Eu faço parte da maioria americana. A maioria dos americanos jamais votou para esse homem, a maioria dos americanos agora está contra essa guerra, e eu estou solidamente no meio dessa maioria, e preciso que outras pessoas em outros países escutem isso. Eu sei que as pessoas nos seus países gostam dos americanos como pessoas. Eu sei que vocês ficam encantados com algo em nós, com nossa simplicidade e nosso... não, falo isso de um jeito bom... pois somos simplesmente, tipo: “E aí, como vai? Há Há... Yeah!” Vocês sabem, não sabem? Eu sei que vocês gostam disso em nós. O modo como sempre estamos para cima, certo? Sim! E somos otimistas... “Ah, sim! Podemos fazer qualquer coisa! Há há há há!” E falamos alto! (risos) Então, só quero que o resto do mundo volte para aquele dia 12 de setembro, quando todos os corações do mundo tiveram compaixão deste país, e eu me sinto muito mal de termos nos aproveitado de tanta boa vontade desde aquele dia, o dia seguinte ao 11 de setembro.
Sr. Moore?
Moore: Sim?
Dan McDonald, jornais Mainichi, Tóquio, Japão. Você poderia responder à acusação de que o seu filme...
Moore: Não é adorável uma pergunta que começa... e sua cabeça começa a pensar: “Certo, o que eu fiz em 1978, 79...?” Desculpe...
Dan McDonald: De que seu filme apresenta um retrato injusto da família Bin Laden como um todo e do povo saudita em geral?
Moore: Oh, eu espero que não. A família real saudita são os únicos sauditas aos quais me refiro em termos de sua amizade com a família de Bush e os amigos da família de Bush. A família real saudita – detesto usar o termo “real” com eles, pois soa tão “vamos tomar chá no Palácio de Buckingham”! É uma ditadura brutal. É um Estado policial. Eles celebraram a passagem de ano há alguns anos decapitando três homens pelo crime de serem gays. Não sei o que estamos fazendo ligados com esse país. Bem, quer dizer, eu SEI sim... Pois nós gostamos de dirigir veículos grandes tipo Arnold Schwarzenegger. E assim por diante... Não tinha ouvido essa acusação de não retratar bem o povo saudita. Tenho muita pena do povo saudita, que eles tenham de viver sob o jugo dessa ditadura. Quanto à família Bin Laden, todos os Bin Laden eu assumo que são inocentes até que se prove sua culpa, e eu apenas achei um pouco estranho que quando eu fui abandonado no 11 de setembro, em Los Angeles, e não pude entrar num avião e então tive de dirigir quase cinco mil quilômetros para chegar em casa, se o meu nome fosse Bin Laden, um telefonema especial poderia ser feito para a Casa Branca para pedir algum meio de eu chegar aonde queria ir. Eu não entendo por que esse tratamento especial foi dado à família real saudita e à família Bin Laden. O que estava acontecendo aí? Acho que essa é uma pergunta legítima a se fazer. E, dos 142 membros da família real saudita que conseguiram sair do país nos 9 dias seguintes, 30 deles foram entrevistados pelo FBI. 30 de 142. Estávamos tirando todo mundo que parecesse árabe ou algo assim dos aviões.
Estávamos jogando as pessoas na cadeia sem acusação. Lembra-se disso? Apenas por causa da cor da pele, ou por terem um nome diferente que soasse árabe, ou porque tinham ligação com alguma coisa em algum lugar. Nós negamos às pessoas suas liberdades civis e seus direitos... mas, se você for da família real saudita ou se for um Bin Laden, ei, aqui está, vamos lhe dar uma mãozinha. Pode imaginar se 15 dos 19 seqüestradores fossem da Coréia do Norte ou da Líbia, se o embaixador libanês ou norte-coreano poderia ligar para a Casa Branca e dizer: “Ei, precisamos de ajuda para tirar o máximo possível de nossos compatriotas do país de vocês”. “Ei, claro, sem problema! Somos americanos otimistas, vamos nessa!” Não, eu acho que não. Eu acho que não. Eu gostaria de ouvir uma resposta a essa pergunta. É só uma pergunta. Não acha que é uma pergunta legítima? Eu acho que é. A família real saudita é uma corporação, eles têm muito dinheiro e investiram muito do seu dinheiro em coisas que são próximas e muito prezadas pelos Bush, pelos amigos dos Bush e pelo círculo íntimo dos Bush ao longo dos anos.
Alejandro Fernande, do Chile, num jornal chileno: e nós também nos opusemos à votação e ao conselho de segurança, então, eu gostaria de lhe perguntar: você acabou de falar do que aconteceu com os Bin Laden, mas foi esse o ponto que foi tão criticado pela mídia, como por exemplo a revista Time aqui, a qual disse que pelo menos três fatos no seu filme são falsos. Qual a sua resposta para isso?
Moore: Cite um fato. Todos os fatos no filme são verídicos.
Alejandro Fernande: Sim, é que... eles dizem...
Moore: O que dizem eles?
Alejandro Fernande: Dizem que os sauditas que foram embora foram mais de 142, e então o esclarecimento deles – foram eles que usaram a palavra “esclarecimento” – foi que permitiu-se que um avião deixasse os EUA O segundo ponto é que o US$ 1,4 bilhão do Carlyle Group à família Bush...
Moore: Sim?
Alejandro Fernande: Dizem que um crédito de aproximadamente US$ 1,18 bilhão foi dado ao Carlyle Group, mas, dizem eles, isso foi antes de George Bush pai fazer parte da...
Moore: O que meu filme diz é que a família real saudita deu esse dinheiro a negócios conectados a Bush ou a amigos e associados da família de Bush. James Baker estava envolvido com o Carlyle Group e trabalhava para o Carlyle Group, assim como era o chefe da secretaria de administração e orçamento de Bush, assim como presidiu a campanha de Bush. Estavam todos trabalhando para o Carlyle Group enquanto os sauditas faziam seus investimentos no Carlyle, e essa é uma companhia em que George W... Ele trabalhou na direção de uma companhia da qual o Carlyle Group era dono no começo da década de 1990. George pai juntou-se ao Carlyle Group no final da década de 1990, e os fatos estão todos lá. Está tudo lá. E um avião saudita voou mesmo no dia 13 de setembro, enquanto o espaço aéreo estava fechado. O avião particular dos sauditas voou de Tampa a Lexington, Kentucky, pegando nobres sauditas no caminho. Isso agora é um fato. O St. Petersburg Times noticiou isso faz duas semanas. O aeroporto de Tampa acaba de confirmar, e a Comissão 11 de setembro decidiu rever aquilo que eles originalmente julgaram não ser aviões voando enquanto o espaço aéreo estava bloqueado. A família real saudita... Quando dizem que foram feitas entrevistas, somente 30 dos 142 sauditas foram entrevistados pelo FBI antes de abandonarem o país. Trinta. Isso é um fato que é declarado pela Comissão do 11 de setembro. Cada fato no filme é verídico. Eu desafio qualquer um a encontrar um único fato no filme que não seja verdadeiro. Agora, mais uma vez, separe os fatos das opiniões. As opiniões que eu expressei são minhas, e podemos debatê-las. Mas se eu lhe digo que foi US$ 1,4 bilhão que saiu da família real saudita os Halliburton, os Baker, tudo isso. É um fato, um fato verificável, e o que eu vou fazer, a partir de amanhã ou de depois de amanhã, no meu web site (www.michaelmoore.com/warroom/f911notes) será simplesmente incluir todas as provas de que disponho, direto no meu site.
Pois eu tenho 30 páginas que vou publicar assim. Vocês podem baixá-las e imprimi-las, e terão a possibilidade de citar cada uma das fontes que eu tenho, para cada detalhe que aparece neste filme. (perguntas fora do microfone) Sim, entendi tudo depois que o Talibã visitou o Texas e se reuniu com os amigos de Bush que comandam o pétroleo lá no Texas. Minha pergunta no filme é: o que o Talibã estava fazendo no Texas, o que estava fazendo nos Estados Unidos? E essa é uma pergunta que deveria ter sido feita na época tanto a Clinton quanto a Bush, no Texas. Mas Bush é o presidente no momento, estão eu pergunto a ele o que o Talibã estava fazendo no Texas enquanto ele era governador, e o que estava acontecendo com esse oleoduto, e agora por que é que houve, repentinamente, um novo acordo de oleodutos que foi assinado entre os três países, Turcomenistão, Afeganistão e Paquistão, para agora construirem um novo oleoduto em algum lugar aqui no futuro. Provavelmente não será a Unocal, mas eu não sei qual... eles ainda não têm as companhias petrolíferas que construirão isso. Mas, claramente, essa é uma pergunta legítima a ser feita, pois aqueles dentre nós que queremos realmente pegar qualquer um que tenha algum envolvimento com o assassinato de três mil pessoas, nós os queremos capturados e nós os queremos trazidos à justiça. E não é disso que se trata a guerra no Afeganistão.
Tratava-se de invadir um país para remover sua liderança, o Talibã, para que assim pudéssemos governar o país, essencialmente, por meio de mediadores. Está bem? Pois se tratasse de capturar Osama Bin Laden, então eu teria de dizer que a missão fracassou. Como disse Richard Clark, eles não permitiram que as forças especiais fossem para onde acreditavam que Bin Laden estava havia dois meses. Então, vamos começar fazendo algumas perguntas difíceis sobre a administração Bush. O que diabos estava acontecendo no Afeganistão? O que o Talibã estava fazendo no seu Estado, visitando seus patrocinadores, numa época em que o senhor era governador? E também para a imprensa americana, pois, como eu mostro no filme, somente a BBC cobriu isso na época. Onde estava a imprensa americana? Pode imaginar uma delegação de alguma outra ditadura visitando Albany e depois indo para uma reunião com empresários de corporações do Estado de Nova York e ninguém da imprensa cobrir o evento? Talvez eles não quisessem cobrir isso. É muito triste, se for esse o caso.
Meu nome é Sabrina...
Moore: Vou encurtar minhas respostas, para que consigamos responder ao máximo possível de perguntas...
Sabrina Cohen, do Panorama, da Itália. Tenho duas perguntas que remontam ao alvo principal do seu filme. A primeira é que, já que você quer tirar Bush da Casa Branca, você pretende participar, caso seja convidado, da convenção democrata em Boston? E então...
Moore: Eu não quero ir lá.
Sabrina Cohen: Por que não? É divertido. Aparentemente, é isso que todos dizem.
Moore: Não me parece nada divertido. Quer dizer, o verão em Boston...
Sabrina Cohen: Certo, a outra coisa é que... Essa é só por curiosidade. A maioria das pessoas, quando sai do cinema, fica se perguntando quem lhe deu as cenas de Wolfowitz. Aquela em que... falo das cenas nojentas. Porque todos estavam saindo do cinema aqui no Lincoln Center, e todo mundo ficava dizendo: “Bom filme, mas quem deu a ele aquelas imagens desagradáveis?”
Moore: Não posso dizer. Não posso dizer. Obrigado. As imagens de Bush na sala de aula, nós conseguimos de um professor que as gravou naquele dia.
Jaeho Kim, do jornal Chosun Daily, da Coréia do Sul. Tenho duas perguntas. Uma é que, mês passado, um refém da Coréia foi decapitado no Iraque e, antes disso, alguns reféns americanos foram decapitados no Iraque. Por que você acha que tragédias como essa aconteceram no Iraque e você acha que isso se deve em parte à má política do Sr. Presidente? E a outra pergunta é: você pode doar parte do dinheiro que ganhou com este filme para o partido democrata, para tirar o Sr. Presidente da Casa Branca?
Moore: Não... Bem, para começar, o filme e as corporações de cinema não podem fazer doações para partidos políticos, e não estou certo de que eu apoiaria que o fizessem, mesmo se pudessem. Quanto às decapitações no Iraque, veja, a situação lá é trágica, e acaba de piorar graças ao nosso envolvimento, e eu acho que quanto antes as tropas americanas puderem ser tiradas de lá, melhor, e que o povo iraquiano decida que tipo de força, força internacional ou seja lá o que for, poderá entrar e ajudar com a restauração de um jeito ou de outro, se é que isso é possível a esta altura. Talvez não haja solução. Não sei qual seria. Não é... Provavelmente nada ali vai ser muito bonito por um bom tempo.
Daniele De Luca, da Popolare, uma rádio italiana independente. Muito bem. Algumas coisinhas. A primeira... o que você diria a um rapaz que vai votar pela primeira vez e que depois de ver o seu filme vai votar em Nader, e o que você pensa do fato de alguns membros do congresso terem pedido que a ONU supervisione as próximas eleições?
Moore: Bem, nós certamente precisamos de observadores para as votações, como prevenção à fraude eleitoral em determinados Estados, em certas áreas, e eu conversei com um grupo de advogados ontem que vai oferecer seu tempo gratuitamente para ir à Flórida e outros lugares, para garantir que eles não tentem roubar mais uma eleição. Para alguém que vai votar em Nader, eu o encorajaria a não fazer isso. Eu pedi... Eu encorajei Ralph a não concorrer. Ele está cometendo um grande erro. Não é este o ano dele. Não é esta a eleição dele. E eu não sei o que o está motivando a fazer isso. É muito triste ver alguém que todos nós costumávamos respeitar muito agir sozinho e tomar uma péssima decisão para este país. Tendo dito isso, acabo de ver uma pesquisa que mostrou que 12% dos eleitores jovens planejam votar em Ralph Nader. Fico espantado com essa estatística, e a equipe de Kerry faria bem em parar de mover seu candidato para o centro e para a direita, porque eles vão perder um monte de gente na extrema esquerda, que vai acabar votando em Nader, e essa é a pior coisa que pode acontecer.
Herbert Bauernebel, da revista Austrian News. Há algo mais que as pessoas ao redor do mundo possam fazer para ajudar com a mudança de regime dos Estados Unidos, além de assistir ao seu filme?
Moore: Não há nada que vocês possam fazer no momento. Realmente, está em nossas mãos e cabe a nós fazê-lo. Se vocês acreditam em orações, podem fazer isso. Sabe, caso... eu não sei. Prometam... Se você está na Áustria, prometa aos americanos que votarem contra Bush férias gratuitas de esqui na neve... para os americanos que puderem provar que não votaram em George W. Bush. Alguma coisa assim, sabe? Se você for da Argentina, uma bela fatia de bife para cada americano que votar contra Bush. Eu não sei. Provavelmente tudo isso é ilegal. Eu não sei.
Sharon Cheung, da China Newsweek, em Pequim. Duas perguntas. A primeira: o filme será lançado na China? A segunda: se for, que mensagem você espera que o público chinês tire do filme?
Moore: Eu espero que o filme seja lançado na China. Eu sei que estão fazendo o acordo neste exato momento, e este pode ser o primeiro documentário estrangeiro a ser lançado nos cinemas chineses. Então, ficarei muito contente se isso acontecer. Espero que o governo chinês não censure nenhum pedaço do filme, o que ouvi dizer que está sendo debatido neste exato momento, e eu espero que o povo chinês possa perceber, graças a este filme, que há americanos como eu aos quais é permitido ser dissidentes neste país e fazer filmes que criticam o governo, e que é importante fazer isso em qualquer tipo de sociedade livre, e talvez, algum dia, qualquer pessoa na China terá o direito de pegar uma câmera e fazer o que quiser com ela para questionar seu governo.
Muna Shikaki, da Al Arabiya TV. Somos uma rede de notícias árabe. O filme será lançado em algumas regiões do Oriente Médio, então eu gostaria de saber que tipo de reação você espera do povo árabe. E, além disso, muita gente no mundo árabe, me parece, está criticando o filme por não fazer nenhuma referência a Israel e ao apoio que os EUA dão à política israelense contra os palestinos. E minha terceira pergunta é o que você acha dos democratas que estão se distanciando de você por considerarem que o seu filme terá um efeito prejudicial na campanha deles. O que tem a dizer sobre isso?
Moore: Bem, qualquer democrata que pense isso é mais um exemplo desses democratas fracassados com que temos de lidar. Este filme não está fazendo nada além de informar bem as pessoas, tenho certeza. Em segundo lugar, o motivo de este filme não mencionar Israel e os palestinos é que eu acho que esse é um assunto para um outro filme inteiro, e eu gostaria de fazer um filme desse tipo algum dia. Este filme não inclui muitas coisas. Sabe, não há nada nele sobre o casamento homossexual. Não digo isso para fugir da pergunta, só estou dizendo que há muito material que eu poderia incluir se quisesse fazer um filme sobre George W. Bush e o casamento homossexual. (risos) O que eu estou dizendo não está fazendo o menor sentido. E qual foi mesmo a primeira parte da sua pergunta? Ah, não consegui entender o que disse depois que me explicou que sua rede, que se chama Al Arabiya, é uma rede árabe, e agradeceria que você repetisse para mim. Qual foi mesmo a primeira parte?
Muna Shikaki: O filme será lançado no mundo árabe, então, qual você acha que será a reação... que reação você espera ou deseja, ou há algo que você queira dizer a esse respeito? Algum comentário?
Moore: Novamente, a mesma coisa que eu disse ao nosso camarada chinês aqui: eu espero que o filme encoraje as pessoas no mundo árabe a se insurgirem contra os ditadores em seus países. Não quero dizer de uma maneira violenta. Falo de fazer perguntas, é isso que eu quero dizer. Lutar por aquilo em que acreditam. Pegar uma câmera. Filmar a verdade. Mostrar a verdade às pessoas. E eu, como americano, eu simplesmente não sei o que o meu país está fazendo nesta parte do mundo agora, essencialmente dominando, dirigindo, controlando dois países de uma vez, e o que é que estamos fazendo nesses relacionamentos que nós temos com alguns desses regimes. Eu simplesmente não entendo.
Serkin Arslan, do jornal Yeni Safak, da Turquia. Como sabe, o Sr. Bush esteve no meu país semana passada. Devido a essa visita do Sr. Bush à Turquia semana passada, muitos bombardeios aconteceram no meu país e quatro vítimas inocentes morreram. Dois oficiais de polícia perderam suas pernas enquanto tentavam desativar algumas bombas. As mãos de dois funcionários do aeroporto explodiram em pedaços e um deles ficou cego. Estou sendo egoísta e sem interesse pelas demais pessoas, mas é muito importante para o povo do meu país, então quero lhe fazer a seguinte pergunta. Bem, nós também nos deparamos com a realidade de que o Sr. Bush é perigoso onde quer que pise.
Devido a outra bomba que explodiu um ônibus municipal, morreu uma jovem mãe que estava levando sua filha ao cinema como presente por ela ter passado de ano. E a mãe morreu. O único pecado dessas pessoas foi apenas viver numa cidade que foi visitada pelo Sr. Bush. Acredito que uma mensagem sua às famílias das vítimas dessa violência seria muito significativa. Você gostaria de enviar uma mensagem de amor e solidariedade a essas pessoas antes que o filme comece a ser exibido no meu país?
Moore: Acredito que quem quer que plante uma bomba é o responsável pela morte dos outros. George Bush não é responsável por essas mortes. Tendo dito isso, eu entendo... bem, o que eu disse antes, eu simplesmente... Sinto-me muito mal quando vejo que houve tanta boa vontade com relação aos EUA depois do 11 de setembro, e eu acho que isso foi desperdiçado e que todos nós estamos menos seguros no mundo como resultado das políticas da administração Bush. Creio que é um mundo mais perigoso, não apenas para aqueles que vivem na Turquia, mas de qualquer outro país que se alia com os Estados Unidos ou com nós americanos. Acho que estamos menos seguros como resultado das ações que esse homem tomou. Tudo que posso dizer é que estamos fazendo o melhor que podemos para devolver a Casa Branca para as mãos da maioria do povo, e é minha esperança como americano que ainda sejamos conhecidos como o povo que traz a paz ao mundo, cujas corporações tratam o mundo... as pessoas, os trabalhadores deste mundo honestamente e pagam-lhes um salário digno, e isso num plano em que temos, não sei qual o número hoje – 2 bilhões, 3 bilhões de pessoas que não têm acesso a água potável – apenas algo simples desse jeito.
Nós temos a tecnologia, o dinheiro e os recursos para garantir que todos os seres humanos neste planeta possam beber água potável. E eu digo aos meus compatriotas: vocês não preferem ser conhecidos como o povo que deu um copo de água potável a todas as pessoas neste planeta? Os americanos fizeram isso nos EUA Não foi uma coisa especial? Que nossos filhos agoram possam viver e que a expectativa de vida das pessoas possa ultrapassar os 40 ou 50 anos? Não seria fantástico, como americanos, sermos conhecidos como o povo que fez isso? Esses são os Estados Unidos que eu gostaria de ver acontecerem em minha época, e continuarei a trabalhar para isso, e lamento muitíssimo pelas pessoas na Turquia que morreram nesta última semana. Tudo isso... tudo isso é desnecessário.
Marcelo [Bernardes], da Revista Época, do Brasil. Minha pergunta... Na verdade eu tenho duas perguntas. Minha primeira pergunta é sobre a Buena Vista. Aparentemente, mesmo depois de vencer a Palma de Ouro, você teve problemas com o Sr. Eisner, e ele dificultou um pouco a revenda dos direitos para o Sr. Weinstein. Eu gostaria de saber se isso é verdade, que ele possuía parte dos direitos, e também minha segunda pergunta é: por que você decidiu estar menos presente neste filme do que de costume como entrevistador?
Moore: Sim, depois que a Buena Vista recusou-se a distribuir o filme, a Buena Vista passou a dificultar as negociações, pois não queria realmente abrir mão do dinheiro que o filme ia faturar. Mas eles negociaram e chegaram a uma boa solução. A Miramax e a Buena Vista, então, você sabe, tudo acabou dando certo. Por que estou menos presente neste filme? Bem, para começar, muitas vezes eu apareço nos meus filmes para ajudar com o humor. Tendo George W. Bush como protagonista, ele não precisa de ajuda para ser engraçado. Ele tem as falas mais engraçadas no filme e eu achei que deveria apenas não atrapalhar.
Nicholas Wapshott, do London Times, da Inglaterra. Posso lhe fazer duas perguntas? A primeira é sobre Tony Blair. As coisas que você atacou no presidente Bush são razões causais ou motivacionais pelas quais Bush comportou-se daquele modo e invadiu o Iraque, mas nenhuma dessas coisas se aplica a Tony Blair. Ele é um homem inteligente. Chegou sozinho à mesma conclusão. Então, poderia comentar isso? E a outra coisa é se você está contente que Saddam Hussein tenha sido tirado do poder, ou você preferiria que ele tivesse permanecido?
Moore: Acho que eu não sou capaz de responder à primeira pergunta. Trata-se de uma coisa em que venho pensando sem parar, tentando entender o que Tony Blair, um homem inteligente, estaria fazendo aliando-se a George W. Bush. Isso é uma coisa que cabe à ciência descobrir. Sabe, talvez algum dia, quando alguém puder fazer algum tipo de exame, como hipnotizá-lo. Eu não sei. Alguém mais inteligente do que eu terá de descobrir isso. E se eu fiquei triste por Saddam ser deposto? Foi essa a sua pergunta? Ou se fiquei feliz que ele caiu? Ou... Bem, eu não sei... Eu acho que todos... Não está todo mundo contente por Saddam Hussein não estar no poder? Acho que todos sempre ficam empolgados quando um ditador cai. Mas tomem cuidado com o que vocês desejam.
Sona Erketin, rádio pública Acik, da Turquia. Eu gostaria de fazer duas perguntas. O que você acha da posição da Turquia no caso do Iraque, pois a Turquia a princípio recusou envolver-se na guerra e depois...
Moore: E depois nós fizemos uma oferta a vocês que não puderam recusar... (risos)
Sona Erketin: Sim, mas, depois que aceitamos, aí então a administração Bush já não quis mais a Turquia. E a outra coisa que eu queria perguntar é, sem contar a mídia, como é que o povo americano pode aceitar o que é apresentado pela administração Bush como um fato, mesmo depois de ter passado pela Guerra Fria, pela caça aos comunistas e pelo Vietnã?
Moore: Bem, essa é uma ótima pergunta. Tenho perguntado isso há algum tempo. Avise-me quando descobrir a respostar. E, quanto à primeira parte da sua pergunta, claramente, houve considerações financeiras que foram oferecidas à Turquia para que apoiasse esta guerra. É claro que eu espero que o povo turco, eu acho que o povo turco entendeu que não lhe interessava o envolvimento na guerra, mas se quer saber minha opinião sobre a coisa toda com a Turquia, e isso vindo de um americano que não é tão entendido em, você sabe, a Turquia... Não, vocês não precisam se esforçar tanto. Sabe, vocês são uma das civilizações mais antigas. Vocês deram ao mundo uma porção de coisas. Então, a coisa toda não se resume a fazer parte da União Européia ou da OTAN, ou fazer com que George Bush goste de vocês e tudo o mais. Sabe, vocês têm a capacidade de fazer um bem ao mundo e à sua própria gente. E eu me afastaria o máximo possível de George W. Bush a esta altura.
Seiji Teramoto, do jornal diário japonês Tokyo Chunichi. Tenho duas perguntas. A primeira pergunta é referente à cena dos três reféns japoneses capturados no Iraque que vejo em seu filme. Você quis expressar alguma opinião sua sobre o governo japonês ou as forças japonesas, em razão de o primeiro-ministro japonês, Koizumi, aparentemente ter concordado automaticamente com a política de Bush?
Moore: E ele fez isso contra a vontade do povo japonês, certo? Quero dizer, as pesquisas de opinião pública no Japão não o apoiam nessa questão. Então, é minha esperança que o povo japonês faça o que é necessário numa sociedade livre e democrática, assim que chegarem as próximas eleições. E, se a cena com os três japoneses no filme é apenas um pequeno lembrete do embaraço e da humilhação completos que, não necessariamente aqueles três trouxeram ao Japão, e eu compreendo como eles têm sido tratados desde que voltaram, mas a vergonha que o primeiro-ministro japonês trouxe para o Japão, pois devo dizer que, para todos nós que crescemos com esse Japão pós-Segunda Guerra, seu povo tem sido o verdadeiro advogado da paz já faz cerca de cinqüenta anos, porque vocês conheceram os horrores da guerra talvez de um modo pior que a maioria das pessoas, e até que ponto as coisas podem chegar em termos de guerra atômica.
Assim, o povo japonês tem estado na linha de frente do desejo de paz neste mundo, e vocês escolheram, por meio de sua constituição, não dedicar nenhuma quantia significativa dos seus recursos para um projeto ou projetos militares. Então, vê-los pela primeira vez em todos esses anos se envolver desse modo foi uma coisa triste, um dia triste, assim como para aqueles que se tornaram os faróis da paz em redor do mundo, ver agora este país envolvido nesta guerra foi uma coisa vergonhosa e escandalosa, e pela correspondência que eu recebo de gente do Japão, eu sei que estão ansiosos por fazer alguma coisa a respeito. Assim espero.
Cesar Cespedes, da revista Cosas, do Peru. Eu gostaria de lhe perguntar, hoje, John Kerry e Bush estão empatados, segundo as pesquisas. O que você vai fazer se Bush for reeleito? O que você acha que acontecerá com o mundo se Bush for reeleito?
Moore: Você não tem o direito de falar uma coisa dessas neste local. (risos) Eu realmente... sabe, como é que eu vou fazer para dormir esta noite com um pensamento desses na cabeça? Por que você faria uma coisa dessas conosco? Não, você está sugerindo uma possibilidade, certo? É como me perguntar: “É possível que o Sol saia de sua órbita amanhã e caia em direção da Terra...” Ah... Não, não. Próxima pergunta. (risos)
Peter Hossli, da revista Facts, da Suíça: conhecida pelos bancos e pela neutralidade. Minha pergunta é que há muitos fatos por aí sobre você que eu gostaria de esclarecer, e só vou lhe fazer uma pergunta. O que foi que você disse e o que foi que você não disse sobre baixar seu filme pela Internet?
Moore: Bem, em primeiro lugar, bancos e neutralidade... claramente, você acabou de cair numa contradição. Tenho ou não tenho razão? Tudo bem. O que eu disse sobre baixar o filme? Eu não concordo com as leis de direitos autorais deste país. Eu acredito que as pessoas deveriam poder compartilhar obras de arte. Eu não acredito que seja certo um terceiro lucrar com o trabalho, a arte ou a criatividade de outra pessoa. Então, eu sou contra isso. Mas se alguém aluga ou compra o filme e quer compartilhá-lo com um amigo, um vizinho ou seja quem for, eu dou todo apoio. Divulguem-no o máximo possível. Se comprarem meu livro, querem fazê-lo circular por dez pessoas? Cara, eu adoro ouvir isso. Não estou dizendo a mim mesmo: “Não, esperem aí, quero que essas dez pessoas comprem o livro”.
Eu escrevi esse livro porque quero que a informação seja divulgada, e se você não pode pagar por ele ou se você tirou uma cópia do livro para que alguém que não pode pagar por ele possa lê-lo, cara, eu dou todo apoio a isso também. Então, eu discordo de toda essa coisa com o Napster e tudo o mais, porque eu sei que, quando eu era adolescente, na época dos discos, dos discos de vinil, e a fita cassete foi inventada, a gente começava a gravar fitas e a compartilhá-las. Era assim que conhecíamos aquelas bandas. E depois que a gente conhecia e era exposto a uma banda da qual gostava, a gente saía e comprava os discos dela. Eu sempre achei uma estupidez a indústria musical ser contra isso, quando, na verdade, eu acho que acaba... as pessoas acabam comprando essas coisas. Mas não dá para ter as duas coisas. Não é possível, depois de fazer com que todo mundo compre tudo em vinil e depois em fita, pôr em formato digital e depois dizer: “Ah, não, vocês não podem copiar isso”.
Bem, isso é como, sabe, pegar seu sofá e sua televisão e colocá-los no meio-fio e depois dizer... e depois ficar surpreso que alguém os tenha pegado. Depois que passaram para a mídia digital, trouxeram a música para fora, para que todos possam pegá-la. Eu preferiria muito mais voltar para os dias do vinil. Eu acho que o som é melhor. Então, eu não sei. Isso responde à sua pergunta ou só estou...? (pergunta fora do microfone) Não estão baixando o meu filme. Você quer dizer que eles estão baixando filmes piratas de gente que levou uma câmera e o filmou. Bem, esse não é o meu filme. Estão assistindo a uma porcaria filmada de uma câmera de rua. Mas e quando o DVD sair e as pessoas o copiarem umas para as outras? Fico contente que o façam. Mas por favor... Sinto-me mal com as pessoas sendo enganadas ou achando que estão vendo o meu filme quando o estão vendo de alguma câmera caseira que entrou escondida num cinema. Pois eu fiz este filme como um filme, e eu quero ir vê-lo num cinema com 300 outras pessoas. Eu acho que é uma grande experiência ver este filme desse jeito. Mas isso é somente a minha opinião.
Simon Houpt, do Toronto Globe and Mail, do Canadá: onde o seu filme está indo extraordinariamente bem, com cerca de 17% do total das bilheterias da América do Norte até o momento.
Moore: Uau.
Simon Houpt: Mesmo correndo o risco de irritá-lo, vou citar um jornalista americano que é na verdade um crítico americano de cinema, que no geral gostou muito do seu filme. David Envy, da New Yorker. Mas só estou interessado em ouvir sua resposta para algo que ele disse, que é o seguinte: “Moore nunca fala sobre o fundamentalismo islâmico e seus campos de treinamento, o ódio obsessivo que eles têm pelo Ocidente, ou terroristas suicidas e a dificuldade de nos precavermos contra eles. Ele nunca pergunta como o governo americano deveria se portar numa guerra contra totalitarismos religiosos.” Tem alguma resposta?
Moore: Noite após noite é martelado em nosso ouvidos por nossas redes de televisão e canais de notícias pagos sobre os fundamentalistas islâmicos. Já vimos tudo. Já ouvimos tudo. Meu filme diz: “Aqui estão algumas das coisas que vocês não têm visto. Aqui estão algumas das coisas que vocês não têm ouvido.” E não é a minha função apenas ficar repetindo o que já foi martelado na cabeça das pessoas. Minha função é dizer: “Talvez haja mais alguma coisa acontecendo. Talvez haja mais alguma informação que vocês deveriam ter antes de tomarem uma posição. Talvez vocês devessem ver um ponto de vista contrário de vez em quando neste país.” E, então, eles detêm... A mídia corporativa neste país? Eles detêm o controle dela o dia todo, todos os 365 dias do ano. Meu filme é nosso apelo humilde: “Podemos ter duas horas, podemos ter apenas duas horas para o nosso lado ou para outro ponto de vista, ou para algumas fotos preencherem as lacunas que não estão sendo preenchidas pela mídia?” A segunda parte da sua pergunta é: “Como lutar numa guerra contra fundamentalistas religiosos?” Bem, é isso que estamos fazendo neste país, e eu espero que tenhamos sucesso no dia 2 de novembro.
Maho Kawachi, do jornal Nikkei, do Japão: Você soube se o Sr. Bush ou alguma outra figura chave no seu filme assistiu a ele, e, nesse caso, qual foi a reação? Você ficou sabendo de algo assim?
Moore: Não creio que tenham visto o filme. Eu adoraria que o vissem. Eu o exibiria a eles pessoalmente, se me deixassem entrar na Casa Branca. Eu mesmo traria o filme e faria a pipoca, e eu adoraria que eles assistissem ao filme. Não, eles têm criticado o filme sem tê-lo visto. Todos alegaram não tê-lo visto, mas declararam-no ultrajantemente falso, e acho que Dan Bartlett disse na CNN semana passada... ele disse algo do tipo “a gente não precisa ver... às vezes a gente não precisa ver as coisas para saber que elas são ruins”, ou algo assim. E eu pensei: “Puxa, isso é incrivelmente consistente. Eles não precisaram ver as armas de destruição em massa para declarar guerra, então eles são consistentes nessa política deles.”
Hiroko Kono, do jornal japonês Yomiuri Shimbun: Você mencionou que a maioria... a maioria do seu país seria de esquerda, mas sempre...
Moore: A maioria é o quê?
Hiroko Kono: A maioria é de esquerda, isso. Mas as pesquisas da mídia geralmente dizem que cerca de 40% ou 44% dos americanos ainda são contados como favoráveis a Bush, como a Brittany Spears. O que você acha? Quantos americanos estão realmente do lado de Bush?
Moore: Acho que provavelmente é isso mesmo. Provavelmente 40% daqueles que votam – lembre-se de que somente 50% do país vota – então 40% provavelmente o apóia mesmo. Então, espero que 60% não o apóie. Últimas perguntas? Sim. Certo. Vamos pegar as últimas três aqui e vamos...
Hiroko Kono: Como vai?
Moore: Bem. Aí atrás? Lá no fundo? Certo, vou lhes dizer uma coisa. Se me fizerem uma pergunta rápida, eu lhes darei uma resposta bem rápida e breve. Faremos um “pingue-pongue” bem dinâmico. Vamos, depressa. Sim...
Kyungmi Kim, do jornal Ohmy , da Coréia do Sul: E, como sabe, meu governo decidiu enviar militares para o Iraque, então, mesmo que um único coreano seja morto, muita gente na Coréia está furiosa com seu governo, e por isso muitos coreanos também querem ver o seu filme. Então, se tiver alguma mensagem, principalmente para o povo coreano, poderia dizê-la?
Moore: Sim, eu espero que o povo coreano venha assistir ao meu filme e eu espero que o povo coreano, novamente, como eu já disse sobre outros países, quando forem votar da próxima vez, deixem seu líder saber o que vocês não aprovaram...
Claudia Sandoval, do jornal colombiano El Tiempo: O enorme sucesso do filme aqui nos EUA é prova do seu poder de influenciar a opinião pública. Como você se sente com esse poder?
Moore: (risos) Eu não sinto que tenho nenhum poder. Fico contente que muitas pessoas vão vê-lo e espero que acrescente algo a elas, espero que debatam o filme e espero que façam algo a respeito. Além disso, sabe como é, é apenas um filme. Entende o que estou dizendo? Não quero considerá-lo mais do que realmente é. Entende o que estou dizendo? Eu gostaria de saber dizer isso em espanhol.
Bob Rosen, sou americano, cobrindo para a revista Paniko, do Chile: É um website, e você, no seu website, assinala que os Estados Unidos gostam de brincar de Dr. Frankenstein e criar ditadores monstruosos, e você faz referência específica a Pinochet e ao Chile, e Pinochet tomou o poder em 11 de setembro de 1973. Como você acha que Pinochet se compara, como político, a Bush, e você acha que Bush algum dia será levado aos tribunais?
Moore: Não consigo imaginar uma coisa pior para um presidente fazer do que levar um país à guerra baseado numa mentira. Isso é... para mim, isso parece chegar perto de ser criminoso. E eu gostaria que algum dia houvesse justiça, pelas leis. Se podemos depor um presidente por causa de uma mancha num vestido azul, nós certamente deveríamos estar fazendo alguma coisa a respeito de alguém que participa de uma falsificação que envia nossos jovens para a guerra. Pinochet... para começar, ele ajudou a dar um golpe militar com o auxílio dos Estados Unidos, e então participou do assassinato de milhares de chilenos. Eu não acho que haja qualquer comparação entre ele e o Sr. Bush, por pior que seja o Sr. Bush. Sabe, talvez a melhor coisa que você possa dizer de Pinochet é que ele provavelmente não teria continuado a ler My Pet Goat. Não conheço ninguém que teria feito isso, francamente, nenhum presidente americano do passado ou qualquer outra pessoa simplesmente se sentaria lá parado, como um alce pego pelas lanternas. E eu acho que, ao dizer isso, estou sendo grosseiro... com os alces. Então... Sim, logo ali?
Bob Rosen: Eu sei que você não vai viajar para outros países num futuro próximo. Falo talvez em breve. Mas eu sei que todos querem uma entrevista particular. Quando você estará disponível para os outros países?
Moore: Eu não estarei.
Bob Rosen: Você quer ficar para a eleição.
Moore: Você quer dizer depois da eleição?
Bob Rosen: Sim.
Moore: Depois da eleição eu vou dar um tempo. Eu preciso ter oito horas de sono, então eu vou realmente tirar umas férias.
Bob Rosen: Você vai dar um tempo, quero dizer, um tempo para nós? (risos)
Moore: Bem, aquela idéia terrível que o cara sugeriu lá atrás, se aquilo acontecer no dia 2 de novembro, talvez eu tenha muito tempo para conhecer o mundo. (risos). Espero pôr este filme nas mãos do máximo de pessoas possível até as últimas semanas antes da eleição.

A COLETIVA COM MICHAEL MOORE CONTINUA, AGORA SEM OS ENTREVISTADORES SE APRESENTAREM. APENAS UM “BATE-PAPO” ENTRE O CINEASTA E OS JORNALISTAS

(pergunta fora do microfone) Espero pôr este filme nas mãos do máximo de pessoas possível até as últimas semanas antes da eleição. (pergunta fora do microfone) Eu não sei. Cabe ao estúdio decidir o que fazer com ele. Hein? (pergunta fora do microfone) Eu gostaria de exibi-lo numa tela enorme, sim. Vamos fazer algo durante a convenção aqui. Vamos nos divertir um pouco. (pergunta fora do microfone) Eu nunca estive no Iraque, não. Nunca estive não. (pergunta fora do microfone) Bem, tivemos dificuldades em descobrir um meio de entrar lá sem autorização e tudo o mais, e então apenas decidimos que seria mais fácil usar freelancers que filmassem as cenas para nós ou usar as cenas que eles já tinham filmado e que eles as enviassem a nós. (pergunta fora do microfone) Não me importo com quanto dinheiro ele ou a esposa dele têm. Quero saber o que ele defende. E o que eu gostaria de saber do Sr. Kerry é o seguinte: “Qual é o seu plano para pôr um fim à guerra?” Alguém aqui já o ouviu dizer isso? Eu não ouvi. Eu gostaria de ouvir qual é. Vamos rapidamente... Vamos esquecer o microfone e bem depressa... (pergunta fora do microfone) Não, não, nós temos de pagar pelos reparos e reconstruções do país que nós, principalmente nós e os ingleses, ajudamos a destruir durante os últimos 14 anos, 13 anos desde a Guerra do Golfo. Você se esquece de todas as sanções e bombardeios que aconteceram durante todos esses anos, o sofrimento que o povo iraquiano tem tido durante todos esses anos. Certo, bem depressa. Sim, o senhor, no corredor. (pergunta fora do microfone) Eu falei com a revista Playboy? Uau! (pergunta fora do microfone) Sim, foi uma piada. Foi uma piada, sim. Só estou dizendo que, se queriam que o trabalho fosse feito, por que não simplesmente chamar os israelenses, certo? Nós damos a eles US$ 4 bilhões por ano. Não podemos pedir um favorzinho? (risos) “Vão pegar esse tal do Osama!” Quer dizer, eu não sei, mas foi... foi meio que uma piada, mas em parte é verdade. Sim, a senhora, bem aqui. (pergunta fora do microfone) Para mim, como cineasta, qual é a imagem mais poderosa do filme, a meu ver? Bem, provavelmente foi me sentar naquela sala com Lila Lipscomb enquanto ela lia aquela carta do filho dela. Eu nunca chorei tanto enquanto estava tentando filmar algo, em nada que eu já tenho feito. Eu não tinha lido a carta antes. Eu não sabia o que ela ia ler, e quando ela leu aquilo naquela sala, eu fiquei simplesmente arrasado quando a escutei. E aí ela leu uma linha, do filho dela que tinha morrido, que acabara morrendo, em que ele dizia esperar que o povo americano não reeleja, nas palavras dele, “aquele tolo”, referindo-se a Bush. E eu me lembro de pensar, para parar as lágrimas e para tentar me recompor naquele momento, quando eu ouvi aquilo, era como um pedido vindo do túmulo, essencialmente. É o último pedido dele. E, então, eu vou me dedicar a realizar o último pedido dele, que ouvi naquele momento, naquela sala de estar. E, assim, aquilo me motivou pelo resto da produção deste filme, a tentar fazer o melhor filme possível, para que eu pudesse atingir o máximo de pessoas possível, para tentar desfazer o dano que tinha sido feito. Sim, senhor. (pergunta fora do microfone) Nós perdemos nosso recurso judicial. Eu acho que os adolescentes deveriam assistir a esse filme. O Canadá e a Inglaterra censuraram-no adequadamente, de modo que a maioria dos adolescentes desses países pode ver o filme. É assim que deveria ser. Eu acho muito irônico e hipócrita dizer aos adolescentes nos Estados Unidos: “Em alguns anos vocês podem ser obrigados a ir morrer lá, mas não podem ver isso na tela, no momento.” Então, eu encorajo os jovens a darem um jeito de entrar no filme e assistir, e temos notícias de muitos cinemas ao redor do país que estão se recusando a respeitar a idade mínima e estão deixando os adolescentes verem o filme. Sim, lá no fundo. (pergunta fora do microfone) Eu simplesmente não estou... Eu não estou no negócio de apoiar candidatos no momento. Não estou dizendo que não vá fazer algo no futuro, mas sou apenas um cineasta e estou tentando distribuir meu filme. Eu também disse ano passado, em meu website, que eu nunca votaria em alguém que votasse a favor desta guerra. Então, eu preciso lidar com isso em minha própria cabeça para começar. Edwards. É um escolha inteligente. Eu realmente me preocupava que ele escolhesse o outro lado, com algum círculo político minoritário. Edwards vem da classe trabalhadora. Edwards é bom para aqueles Estados sulistas onde eles estão perdendo senadores. Os democratas vão perder cinco senadores no Sul que estão se aposentando este ano. E ele tem muito entusiasmo, então é provavelmente uma boa idéia. Eu disse em meu blog há alguns dias... certamente seria bom que tivéssemos uma mulher candidata uma vez... nós tivemos uma vez na vida, eu acho, uma vice-presidente, mas isso é loucura. O gênero majoritário nunca conseguiu ter nenhuma candidata. Há mais mulheres do que homens, e nunca há uma mulher candidata. É simplesmente incrível. Se os marcianos viessem aqui e vissem isso, como o explicaríamos a eles? Quer dizer, como isso está acontecendo? É como que uma situação de apartheid. A minoria está constantemente comandando o espetáculo. Os Estados Unidos têm 62% de mulheres, negros ou hispânicos. 62% deste país é ou mulher, ou negro ou hispânico. São quase dois terços. A maioria dos americanos não se parece comigo. É feminina, negra ou hispânica. E, novamente, nenhuma mulher, negro ou hispânico é candidato no partido principal. É triste. Talvez algum dia. Sim, bem aqui no corredor. (pergunta fora do microfone) Eu votei em Ralph Nader em 2000 e em 1996, e eu votei em Bill Clinton em 1992. Sim, lá atrás. (pergunta fora do microfone) Por que eu não percebi o quê? (pergunta fora do microfone) Eu não entendo. O que ela quer dizer com isso? (pergunta fora do microfone) Como eu externaria isso? Como eu o faria? Eu não tenho... Eu não tenho mais um programa na televisão. Onde eu externaria tudo isso? (pergunta fora do microfone) Numa nova rede de TV? (risos) Que rede de TV que torce para Bush eu teria chamado? Que rede amasiada...? Ah, você quer dizer que eu devo conseguir que uma rede estrangeira o faça. Quer saber? Da próxima vez, é isso que faremos. Da próxima vez, vou passar tudo para Carol Coleman. As duas últimas perguntas. Quem vai fazê-las? Sim, ali em cima, bem no fundo. (pergunta fora do microfone) Sim, tenho. Não estamos fazendo isso? Não lançamos uma versão do filme em espanhol nos Estados Unidos? Sim, tenho quase certeza. Quer dizer, é algo importante para mim. Achei que estivéssemos fazendo isso. Não estamos fazendo isso ou...? Sabe, no Canadá, eu insisti que os canadenses que falam francês pudessem ver o filme no mesmo dia que os canadenses que falam inglês. Muitas vezes, os canadenses que falam francês precisam esperar que a França receba o filme, mas eu insisti que uma versão francesa estreasse no mesmo dia que no resto do Canadá. Eu apenas presumi que faríamos isso para os americanos que falam espanhol, mas se isso não for verdade, eu vou descobrir. Sim, senhor... (pergunta fora do microfone) De onde você é? A pergunta dele é que eu mostro soldados no filme que parecem tanto a favor quanto contra. Não é assim que eu vejo as coisas. No começo da guerra, eu mostro os soldados todos empolgados, tocando seu rock-and-roll, indo cumprir suas ordens, e depois, mais para o final do filme, eu os mostro do modo como acho que muitos deles estão se sentindo agora, desiludidos, insatisfeitos, sentindo-se enganados. É uma representação precisa daquilo que eu acredito que muitos desses soldados passaram. No início, tenho certeza de que a grande maioria deles estava toda empolgada. Agora, passado quase um ano, uma grande quantidade deles está extremamente descontente e, como um deles disse no meu filme, não quer voltar para o Iraque. Para mim, eu acho que apenas... Eu apenas mostrei o antes e o depois. Não houve uma premeditação aí. Mas eu acho que o filme toma uma posição, EU SEI que o filme toma uma posição, pois fui eu que o fiz, e tenho um respeito tremendo por nossos jovens que estão dispostos a serem voluntários na guerra, especialmente considerando que muitos deles estão se inscrevendo no Exército por causa das condições econômicas ruins de seus bairros, e eles estão dispostos a sair em defesa do seu país ou, como sabem, morrer por este país para mantê-lo livre. Mas nunca a guerra é uma questão de defesa do país, não é mesmo? Não se trata, de fato, de manter nossa liberdade, não é? Com muita freqüência, o poder militar é usado não para salvar vidas, mas para fazer o serviço sujo dos ricos e poderosos, e eu estou farto de ver isso acontecer. Estou farto de ver os filhos e filhas do povo voltando mortos para casa, e vou atacar isso o máximo que puder, pois eu acho que é um abuso horrendo dessa tremenda dádiva que eles nos oferecem quando se alistam no Exército. Como eu digo no filme, eles nunca deveriam ter sido enviados para o perigo, exceto em caso de extrema necessidade, e nós traímos essa fé e essa confiança desses jovens. E... vocês viram a história nos jornais no fim de semana? Queda no recrutamento. Queda no recrutamento. Não conseguem mais que eles se alistem na Guarda Nacional e nas reservas. Não conseguem, pois quem vai querer lutar por algo que não tem nada a ver com a autodefesa deste país? Então, é assim que eu me sinto com relação aos nossos soldados. Eu acho, só para concluir, e eu gostaria de agradecer a todos vocês por terem ficado até agora, e sei que foi muito tempo para ficarmos sentados aqui neste lugar. Eu espero sinceramente que as pessoas nos países de vocês compareçam para assistir a este filme e pensem sobre os tipos de filmes que deveriam ser feitos nos países de vocês sobre seus líderes, e a cumplicidade deles, especialmente quando eles são cúmplices do presidente dos Estados Unidos. Eu não entendo como eles acreditam que podem se safar disso em muitos de seus países, onde a maioria da população está contra. Espero que eles não escapem. Se todos nós, nos meses seguintes... Eu fui para o Canadá dez dias antes da eleição lá e, essencialmente, implorei que os canadenses não elegessem o “George Bush” deles, num momento em que estamos tentando nos livrar do nosso George Bush. Essa é a mensagem errada a ser passada. Se todos nós fizermos o melhor que pudermos para eleger as pessoas certas, que apoiem a paz mundial e um mundo onde haja justiça econômica para todos os povos, então veremos menos terrorismo, veremos menos morte e destruição, menos guerras, e nós... vejam... nós testemunhamos coisas notáveis na última década. Quem aqui imaginou que Nelson Mandela um dia sairia da prisão e então se tornaria o presidente da África do Sul? Quem imaginou que veria o Muro de Berlim ser derrubado? Quem imaginou que veríamos Pinochet cair e deixar atrás dele um país democrático? Posso citar ainda muitos outros exemplos de casos em que o povo acaba prevalescendo. E às vezes basta bater com um martelo e um cinzel num muro, e então algumas pessoas se juntam, e dali em semanas o muro já era. E eu espero que a minha obra encoraje as pessoas em outros países a pegar seus martelos e cinzéis, e suas câmeras, e fazer o importante trabalho que precisa ser feito para todos nós. Eu continuarei a fazê-lo aqui no meu país, como americano. Se cada um fizer isso em seu país, exigindo que a mídia faça o trabalho que deveria estar fazendo e formule as perguntas difíceis, sem nunca permitir que o país de alguém entre em guerra sem que as provas sejam apresentadas inequivocamente ao povo. Houve um jornalista famoso nos Estados Unidos que disse: “Todos os governos são dirigidos por mentirosos e não se deve acreditar em nada do que eles dizem”. Esse deveria ser um axioma básico de todo jornalista. E devem presumir que eles estejam mentindo e então fazê-los provar que estão falando a verdade. Pois eles podem estar falando a verdade, mas que eles provem, ao invés de começar do jeito que nossos jornalistas americanos fizeram, que foi acreditar em tudo que era dito a eles na sala de imprensa da Casa Branca, e depois entrar nos tanques, fazendo as bandeirinhas voarem pela tela, por telas que são repletas... metade da tela fica preenchida com bandeiras americanas. “EUA, EUA, EUA” Isso não contribui em nada para o espírito deste país grandioso. Isso só nos desonra, e desonra nossa bandeira. E eu vou me erguer e dizer isso, porque eu tenho orgulho de ser americano. Eu tenho orgulho de ser parte deste país, e meus compatriotas estão fartos disso também, e tomaremos providências quando chegar o dia 2 de novembro. Muito obrigado a todos por estarem aqui. (aplausos).

Fonte
::.. EUROPA ..::